PF quer fazer perícia em imóvel de 17 suítes da ex de Cabral

PF quer fazer perícia em imóvel de 17 suítes da ex de Cabral

Delegado federal Antonio Carlos Beaubrun Júnior informou juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, que foram identificados ‘elevados gastos em obras’ no imóvel situado em Araras (RJ) e equipado com hidro, salão de jogos e campo de futebol

Julia Affonso

18 de maio de 2017 | 05h00

Susana Cabral em janeiro de 2017. Foto: Fábio Motta/Estadão

A Polícia Federal pediu ao juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, autorização para fazer perícia em propriedades de Susana Neves Cabral, ex-mulher do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), incluindo um imóvel com 17 suítes, campo de futebol, hidromassagem e salão de jogos.

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Endereços ligados a Susana, em Araras (RJ) e São João Del-Rei (MG), foram alvo de busca e apreensão na Operação Lava Jato no início de maio.

Em manifestação ao juiz Bretas, o delegado da PF Antonio Carlos Beaubrun Júnior informou que foram identificados ‘elevados gastos em obras nos imóveis’.

“A par disso, não foram localizados notas fiscais ou dados de suporte da mesma, bem como eventuais gastos podem ter se dado com valores recebidos a título espúrio, em tese, pela empresa Arara ou pela própria Susana Neves Cabral”, aponta o delegado.

Beaubrun Júnior informou ao juiz que o imóvel vasculhado em São João Del-Rei (MG) teria sido reformado.

“Conforme informação policial, com dados obtidos com funcionários durante as buscas, o imóvel foi reformado, sendo informado que as obras de arte, presentes de decoração e reforma tendo sido ‘dadas’ pela sogra de Susana, mãe de Cabral”, anotou.

O documento da PF destaca que o imóvel situado em Araras tem ‘17 suítes, salas, piscina, piscina de hidromassagem, salão de jogos, entre outros ambientes, foi totalmente reformado há cerca de 5 a 7 anos’.

O delegado anotou que fica reforçada a tese ‘de que tais gastos possam ter sido efetuados com pagamentos de valores repassados da empresa Survey Mar e Serviços ao grupo FW Engenharia’.

O delegado afirmou ao juiz Bretas que ‘há necessidade de se tentar auferir os valores empregados em tal obra, para depois se contrapor a que forma se deu pagamento de materiais, engenheiro, arquiteto, e trabalhadores que efetuaram, verificando-se de onde advém tal valor empregado’.

“Ainda, verifica-se que tais dados podem ser descaracterizados, o que importa na necessidade e urgência da presente medida. Assim, poder materializar o local pode ser importante medida para cruzamento de dados e verificar se valores oriundos de “propina” foram empregados nas
vultuosas reformas e elucidar os fatos em apuração, por isso a necessidade desta medida excepcional”, argumentou.

O pedido é de 10 de maio. O delegado solicitou autorização judicial para a PF entrar nos endereços em Minas e no Rio, acompanhada de perito, ‘em todos cômodos e locais da residência a fim de proceder a verificação e avaliação pericial das obras e demais benfeitorias ali existentes’.

“Inclusive, eventualmente, móveis, objetos, adornos, geradores, e quaisquer outros bens empregados e existentes no local a fim de produção de laudo pericial com avaliação dos mesmos e de obra de reforma. Importante ressaltar tal perícia se dará em horário legal de cumprimento de mandado com as cautelas de estilo e legais necessárias ao cumprimento da ordem judicial se deferida”, explicou o delegado.

Em petição, a defesa de Susana afirmou que não há ‘funcionários residindo ou trabalhando’ no imóvel em São João Del-Rei e pediu ‘a fim de evitar o seu arrombamento’ que autorização para que uma pessoa acompanhe a diligência. O Ministério Público Federal concordou com a solicitação. Cabe ao juiz federal Marcelo Bretas vai decidir.

Investigação. A ex de Cabral foi alvo da Lava Jato em janeiro e em maio deste ano.
A Receita identificou que a Araras teve movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada e distribuiu lucros e dividendos incompatíveis com as receitas auferidas, nos exercícios de 2007 a 2009 e de 2011 a 2015.
O levantamento demonstra que a sede da empresa é a própria residência de Suzana, no bairro da Lagoa, no Rio, e que não há nenhum empregado registrado. As investigações também apontam que a ex de Cabral utilizou sua empresa para ocultar a origem ilícita de R$ 1.266.975,00.

Entre 25 de outubro de 2011 e 13 de dezembro de 2013 foram identificadas 31 transferências bancárias de recursos oriundos do grupo de empresas da empreiteira FW Engenharia, por intermédio da empresa Survey Mar e Serviços Ltda, que realizou pagamentos à Araras Empreendimentos a título de serviços de consultoria em valor quase duas vezes maior que a sua renda bruta declarada. Quase 50% dos valores recebidos pela Survey da FW no período analisado pela investigação foram repassados logo em seguida para a empresa de Suzana.

“Toda a movimentação aponta para lavagem de dinheiro pago como propina à organização criminosa em contratos que o Governo do Estado do Rio de Janeiro firmou com a FW Engenharia”, afirmou a força-tarefa da Lava Jato, no Rio, em 8 de maio quando os imóveis de Susana Cabral foram alvo de buscas.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO SÉRGIO RIERA, QUE DEFENDE SUSANA NEVES CABRAL

O advogado Sérgio Riera afirmou que ‘não há problema algum sem se realizada perícia’.

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