PF quer análise da planilha ‘MT’

PF quer análise da planilha ‘MT’

Ao pedir prorrogação de investigação contra o presidente Michel Temer por mais 60 dias, PF aponta quatro motivos

Fabio Serapião e Teo Cury / BRASÍLIA

27 de abril de 2018 | 22h04

Michel Temer. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ao pedir a prorrogação do inquérito do Decreto dos Portos por mais 60 dias, o delegado federal Cleyber Malta elencou quatro pendências a serem superadas para encerrar a investigação. O inquérito tem como alvo o presidente Michel Temer e apura se ele teria beneficiado a empresa Rodrimar na edição de um decreto sobre o setor portuário. O pedido será analisado pelo ministro Luis Roberto Barroso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Nesta sexta-feira, 27, Temer reagiu a supostos vazamentos no inquérito dos Portos após o jornal ‘Folha de S.Paulo’ divulgar informações sigilosas sobre a apuração. Segundo o jornal, seis meses após a abertura do inquérito, a investigação da PF sugere que o presidente tenha ocultado bens “lavando” dinheiro de propina por meio de reformas em imóveis de parentes, entre eles a filha Maristela Temer, e transações imobiliárias em nome de terceiros.

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Para o delegado do caso, a prorrogação é necessária para que seja concluído o recebimento e a análise “dos dados telemáticos, bancários e fiscais” dos investigados. A PF, no fim do ano passado, pediu a quebra de sigilo de Temer, de seu amigo, o coronel João Baptista da Lima Filho, e do seu ex-assessor José Yunes. A quebra foi autorizada pelo ministro Barroso. No entendimento do investigador, a análise desse material é “imprescindível para o esclarecimento dos crimes investigados”.

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Além dos sigilos dos investigados, Malta argumenta pela necessidade de receber e analisar o material relacionado a uma apuração antiga sobre o Porto de Santos, o inquérito 3105/STF. Em um relatório de análise produzido na investigação, a PF cita uma planilha desse inquérito com citações a um sigla (MT), que seria Michel Temer, atrelada a valores.

Segundo a PF, a planilha ‘contém aparentes referências a quase todos atores citados’ no inquérito sobre o decreto dos Portos que tramita sob a relatoria do ministro Luís Roberto Barroso no STF.

O delegado também pede mais tempo para poder concluir a análise do material apreendido na Operação Skala, que prendeu Yunes e o coronel Lima, em março. Segundo o investigador, já foi solicitado o apensamento desse material no inquérito para que as informações sejam processadas de forma conjunta.

Por fim, como forma de dar fim a investigação que pode resultar na terceira denúncia contra o presidente, Malta afirma que é importante ouvir outros ‘investigados e testemunhas de interesse para o esclarecimento do caso’.

A PF também deve ouvir o depoimento de Maristela Temer na próxima semana. Para o advogado Fernando Castelo Branco, que representa Maristela, ela vive “uma situação angustiante” e está disposta a prestar todos os esclarecimentos.

Por meio de suas defesas, Temer, Yunes e o coronel Lima negam envolvimento em irregularidades.

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