Quatro executivos de empreiteiras da Lava Jato presos por desvios na transposição do São Francisco

Quatro executivos de empreiteiras da Lava Jato presos por desvios na transposição do São Francisco

Executivos da OAS, Coesa, Barbosa Mello e Galvão Engenharia foram detidos nesta manhã sob supeita de participar de desvios de R$ 200 milhões em um trecho da obra

Mateus Coutinho, Andreza Matais e Fausto Macedo

11 de dezembro de 2015 | 12h23

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Obras da transposição do São Francisco em Pernambuco. Foto: José Patrício/Estadão

A Polícia Federal prendeu temporariamente nesta sexta-feira, 11, quatro executivos das empresas Galvão Engenharia, OAS, Coesa e Barbosa Mello suspeitos de envolvimento no superfaturamento e desvio de R$ 200 milhões em dois lotes das obras da transposição do Rio São Franciso, entre o sertão de Pernambuco e a Paraíba. Os nomes dos executivos não foram revelados.

“São diretores, conselheiros e representantes legais das empresas”, disse o superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, delegado Marcelo Diniz. Ao todo, foram detidos um executivo que representa a OAS e a Coesa, um da Barbosa Mello e dois da Galvão Engenharia. As prisões são temporárias, com duração de cinco dias podendo ser prorrogadas por mais cinco ou convertidas em preventiva – quando não há prazo definido para acabarem – e ocorreram nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará e no Distrito Federal.

As empresas compõem um consórcio responsável por dois dos 14 lotes da transposição que está na mira da Polícia Federal deflagrada por repassar os recursos recebidos do Ministério da Integração Nacional referentes à obra para empresas de fachada dos doleiros Alberto Youssef e Adir Assad, ambos já presos e condenados na Lava Jato por usarem suas empresas para lavar dinheiro no esquema de corrupção na Petrobrás.

Ao todo, o consórcio recebeu R$ 680 milhões pelas obras dos dois lotes, dos quais R$ 200 milhões foram repassados para empresas de fachada, segundo as ivnestigações.

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Apesar das coincidências com a operação tocada pelo juiz Sérgio Moro, no Paraná, a investigação é realizada pela na Polícia Federal no Recife (PE) independente da Lava Jato. Ao perceber que os alvos se cruzaram, contudo, a Polícia Federal compartilhou informações com a força-tarefa da emblemática operação que desmontou o esquema de corrupção na Petrobrás.

Cerca de 150 policiais federais cumpriram nesta manhã 32 mandados, sendo 24 de busca e apreensão, 4 de condução coercitiva e quatro de prisão nos Estados de Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e em Brasília.

Obra. A obra de transposição do rio São Francisco é tocada pelo governo federal e foi reiniciada na gestão do ex-presidente Lula. Segundo o Ministério da Integração Nacional, responsável pela execução, a obra engloba a construção de quatro túneis, 14 aquedutos, nove estações de bombeamento e 27 reservatórios. Desde que foi retomada, ela se arrasta há oito anos.

Além da recuperação de 23 açudes existentes na região que receberão as águas do rio São Francisco. O projeto esta orçado em R$ 8,2 bilhões, com base na planilha orçamentária vigente.

O governo diz que a obra beneficiará uma população estimada de 12 milhões de habitantes, em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, onde a estiagem ocorre frequentemente. A Região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água. O Rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.

Em outubro deste ano, conforme o ministério, 81% da execução física da obra estava concluída, sendo o Eixo Norte com 82,2% e o Eixo Leste com 79,2%.

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou entre 2005 e 2013 irregularidades que somam R$ 734 milhões nas obras da transposição. O que inclui, contratos que não foram honrados ou que tem sobrepreço, pagamento duplicado por obras ou pagamento de serviços que não foram executados.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DA GALVÃO ENGENHARIA:

“O Grupo Galvão informa que ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação denominada Operação Vidas Secas, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão na presente data.

A Galvão Engenharia, desde já, informa que tem o compromisso de colaborar com o poder público para que tudo seja esclarecido da melhor forma possível.

Assessoria de imprensa do Grupo Galvão”.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTONIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO, QUE DEFENDE YOUSSEF

O criminalista afirmou que ainda não teve acesso às investigações do caso e que a defesa de Alberto Youssef só vai comentar depois de estudar o processo.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA MIGUEL PEREIRA NETO, DEFENSOR DE ADIR ASSAD

O advogado Miguel Pereira Neto, que defende Adir Assad, disse que ainda não tomou conhecimento dos detalhes da investigação que deu base à ‘Vidas Secas’, missão da Polícia Federal. “Depois que tivermos acesso aos autos é que poderemos nos manifestar”, anotou Miguel Pereira Neto.

COM A PALAVRA, A DEFESA DA BARBOSA MELLO:

O advogado Leonardo Bandeira, responsável pela defesa da Barbosa Mello afirmou que nenhum diretor ou executivo da empresa foi preso ou conduzido para depor e que não a empresa nem seus executivos foi alvo de buscas nesta manhã. Segundoo defensor a empresa está tomando conhecimento do caso.

Os demais citados na investigação ainda não se manifestaram sobre a operação.

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