PF prende no Panamá suspeito pelo desaparecimento de 12 brasileiros em travessia para os EUA

PF prende no Panamá suspeito pelo desaparecimento de 12 brasileiros em travessia para os EUA

Operação foi realizada sábado e levou à prisão do homem acusado no misterioso sumiço de brasileiros, além de cinco dominicanos e dois cubanos em novembro de 2016 durante travessia de barco das Bahamas para os Estados Unidos

Fausto Macedo e Fabio Serapião / BRASÍLIA

06 Agosto 2018 | 16h07

A Polícia Federal capturou no último sábado, 4, no Panamá, o principal suspeito pelo desaparecimento de 12 brasileiros, cinco dominicanos e dois cubanos em novembro de 2016, durante uma travessia ilegal de barco das Bahamas para os Estados Unidos.

As informações foram divulgadas pela PF nesta segunda-feira, 6. A ação é resultado da 3.ª fase da Operação Piratas do Caribe e foi realizada em conjunto com a Interpol, U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) e Polícias do Panamá e República Dominicana. O homem, de 40 anos, foi encaminhado para Brasília/DF no domingo (5/8), onde ficará sob custódia.

Estima-se que a organização criminosa da qual o preso faz parte tenha movimentado, nos últimos anos, mais de R$ 25 milhões e enviado uma média de 150 adultos e 30 crianças e/ou adolescentes por ano para tentar o ingresso ilegal nos EUA. No curso da investigação, foi constatado que diversos brasileiros acabaram morrendo ou desaparecendo enquanto tentavam a travessia.

Entenda a Operação Piratas do Caribe

As investigações começaram a partir da notícia do desaparecimento de um brasileiro que teria tentado entrar ilegalmente nos Estados Unidos, em dezembro de 2016, com auxílio de coiotes.

A apuração indicou que, antes de sair do Brasil, os imigrantes ficavam em cidades com aeroportos internacionais de fácil acesso, aguardando a ordem de embarque para as Bahamas onde aguardavam por vários dias para tentar fazer a travessia de barco e, assim, ingressarem clandestinamente nos Estados Unidos.

Além de todos os riscos que envolviam a imigração ilegal, os coiotes escondiam os reais perigos envolvidos na travessia, como a passagem pela região do Triângulo da Bermudas, famosa pelo alto índice de tempestades, naufrágios e desaparecimento de embarcações e aeronaves.

A operação é uma das primeiras a serem realizadas no ambiente de Inquérito Policial eletrônico (Sistema ePol).