PF prende no Amapá primo de Alcolumbre em operação contra o tráfico internacional de drogas

PF prende no Amapá primo de Alcolumbre em operação contra o tráfico internacional de drogas

Operação Vikare mira quadrilha que tinha base operacional no Amapá, de onde realizava as atividades de importação e transporte de drogas com aeronaves

Redação

20 de outubro de 2021 | 11h08

Operação Vikare. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 20, a Operação Vikare contra suposta organização criminosa que atuava no tráfico internacional de drogas e esquema de lavagem de dinheiro. O ex-deputado estadual Isaac Alcolumbre, primo do senador Davi Alcolumbre, foi preso durante as diligências. As suspeitas dos investigadores é a de que o ex-parlamentar seria dono de um aeródromo que teria sido usado como ponto de abastecimento e de apoio para o grupo investigado.

De acordo com os investigadores, a quadrilha sob suspeita tinha base operacional no Amapá, de onde realizava as atividades de importação e transporte de drogas com aeronaves, distribuindo os entorpecentes para diferentes pontos do País.

Um efetivo de 300 policiais federais cumpre 24 mandados de prisão preventiva e 49 de busca e apreensão. No Amapá, foram executados quatro ordens de busca e duas de prisão preventiva. As diligencias ocorreram em empresas, em duas residências localizadas em e também em um aeródromo particular.

“A Polícia Federal encontrou indícios de que este aeródromo fornecia apoio logístico, como combustível, para aeronave fazer esses voos aos demais Estados brasileiros, bem como a outros países fornecedores da droga, como Colômbia e Venezuela. O local também foi utilizado como ponto de apoio para realização dos preparativos da aeronave de modo a deixá-la em condições para voar com autonomia para longas distâncias e assim trazer a maior quantidade de drogas possível”, explicou a corporação em nota.

Operação Vikare. Foto: Polícia Federal

Os demais mandados foram cumpridos contra pessoas e empresas em endereços de oito Estados: Pará, nas cidades de Belém e Ananindeua; Amazonas, nos municípios de Manaus e Itacoatiara; Piauí, na capital, Teresina; Mato Grosso do Sul, nas cidades de Campo Grande, Paranhos e Aral Moreira; São Paulo, na capital e na cidade de Sorocaba; Rio de Janeiro, na capital; Paraná, nas cidades de Foz do Iguaçu e Londrina; e no Ceará, na capital Fortaleza.

As ordens foram expedidas pela Justiça Federal no Amapá, que também decretou o sequestro de bens e valores de 68 pessoas e empresas. As ordens atingem: 95 veículos, entre carros, caminhões e motos, boa parte de luxo, com proibição da transferência de propriedade; três aeronaves com indisponibilidade e restrição de uso; 19 embarcações com indisponibilidade e restrição de uso; Indisponibilidade de diversos imóveis em nome de 41 pessoas físicas e jurídicas.

Além disso, foi determinado o bloqueio de ativos financeiros dos investigados que chegam a R$ 5,8 milhões. Os valores são individuais, aplicados a cada envolvido, diz a PF.

A corporação diz que as investigações identificaram uma ‘grande e articulada’ organização criminosa, formada por brasileiros e estrangeiros, que trafica drogas por meio de uma rota que passava por países da América do Sul, principalmente Colômbia e Venezuela, e tinha o Amapá como uma de suas bases logísticas, de onde as drogas partiriam para outras regiões do Brasil.

Os investigadores apontam ainda que, ao longo das apurações, observou-se a participação de empresas de ‘fachadas’ de outros Estados no esquema, para ‘lavar’ o dinheiro do tráfico.

“A organização criminosa possuía, na estrutura, mecânicos de aeronaves, pilotos, operadores financeiros responsáveis por transacionar os valores obtidos pelas atividades ilícitas, além de terceiros que recebiam quantias em contas pessoais e empresas, cujo objetivo era dar aparência de licitude aos valores obtidos com a prática criminosa”, diz a PF.

 

Segundo a corporação, a ofensiva aberta nesta manhã está ligada à uma ação da Polícia Federal realizada em maio de 2020, quando os investigadores no Amapá observaram movimentações suspeitas de aeronaves na região. A PF aponta que, na ocasião, foram descobertos destroços de um avião de pequeno porte, que ficou atolado no município de Calçoene.

A aeronave estava, em grande parte, destruída por um incêndio, afirma a PF, mas os policiais perceberam que a mesma estava adaptada para transportar drogas. Os investigadores levantaram informações de que uma outra aeronave pousou no mesmo local e resgatou os tripulantes e a carga.

Com o avanço das apurações, identificou-se que o dono avião foi preso em julho do mesmo ano, no Paraguai, quando pousava uma outra aeronave carregada com 425 kg de cocaína. Os investigadores apuraram ainda que a aeronave de pequeno porte utilizada para resgate das pessoas e carga em Calçoene havia sido vendida a uma outra pessoa. Esta, por sua vez, foi presa em em flagrante em novembro do ano passado transportando 450 kg de “skunk” logo após deixar Macapá, saindo de um aeródromo da capital amapaense.

A PF apontou ainda que uma das empresas investigadas foi aberta no ramo de cosméticos, sob a administração de uma mulher de origem colombiana, residente em Sorocaba. A corporação diz que o segmento de atuação da empresa ‘facilitava o acesso a produtos químicos usados no refino de drogas’.

“Constatou-se indícios de que a suspeita já havia sido presa em 2012 por tráfico de drogas e era a principal responsável pelo fornecimento de drogas da organização criminosa”, informou a corporação.

Os investigadores dizem ainda que uma empresa do ramo de venda de peixes no Rio de Janeiro foi identificada como integrante da organização criminosa. Sua atuação consistia em esconder as drogas no meio da carga de peixe, na tentativa de dificultar o trabalho da polícia, diz a PF.

COM A PALAVRA, O EX-DEPUTADO ESTADUAL ISAAC ALCOLUMBRE

A reportagem busca contato com o ex-parlamentar. O espaço está aberto para manifestações.

Veja a seguir as imagens das diligências

Operação Vikare. Foto: Polícia Federal

Operação Vikare. Foto: Polícia Federal

 

 

Operação Vikare. Foto: Polícia Federal

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