PF prende funcionária da Odebrecht em desdobramento da Acarajé

PF prende funcionária da Odebrecht em desdobramento da Acarajé

Ao todo, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na sede da empreiteira em Salvador e um de prisão temporária

Ricardo Brandt, enviado a Curitiba, Mateus Coutinho e Julia Affonso

11 Março 2016 | 11h24

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A Polícia Federal prendeu nesta manhã a funcionária da Odebrecht Angela Palmeira Ferreira e fez buscas na sede da empreiteira em Salvador (BA). Ao todo foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária, com prazo de cinco dias que pode ser prorrogado ou até convertido em preventiva. Segundo a PF, a funcionária da empreiteira, que é assistente administrativa, foi presa em casa, no bairro de Pernambués. As ações são um desdobramento da 23ª fase da Lava Jato chamada Acarajés e que teve como alvo principal o ex-marqueteiro do PT, João Santana e sua mulher e sócia Mônica Moura.

Segundo a Polícia Federal, a funcionária já foi encaminhada para Curitiba, sede da Lava Jato, nesta manhã.

João Santana e sua mulher estão presos desde o dia 23 de fevereiro suspeitos pelo recebimento de pelo menos US$ 7,5 milhões na conta secreta em nome da offshore Shellbill Finance, entre 2012 e 2014. Os pagamentos foram feitos pela Odebrecht, que teve seu presidente afastado condenado esta semana por liderança do cartel, e o operador de propinas Zwi Skornicki, que atuava em nome do estaleiro Keppel Fels e de outras cinco empresas investigadas pela corrupção na Petrobrás.

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Suspeitas. O nome da operação Acarajés faz referência ao termo usado por funcionários da Odebrecht para supostas transações de propina para o marqueteiro que atuou nas campanhas presidenciais de Dilma (2010 e 2014) e Lula (2006). Com o avanço das investigações, novos documentos foram encontrados na empreiteira e também nos computadores e até na residência da secretária da empreiteira Lúcia Guimarães Tavares, que indicam repasses para o casal de R$ 21,5 milhões fora da contabilidade oficial da Odebrecht entre outubro de 2014 e julho de 2015.

As planilhas da empresa usavam a expressão “feira”, que os investigadores afirmam não ter mais dúvida de que se tratava de João Santana e sua mulher,para designar o suposto destinatário dos repasses.

Nesta quinta-feira, 10, a Polícia Federal ouviu o casal de marqueteiro pela segunda vez, desde que foram presos, sobre as suspeitas. Eles permaneceram calados diante das novas provas. Santana respondeu a uma única questão, sobre a suposta destruição de arquivos armazenados em nuvem na internet. Ele negou ter apagado a conta que mantinha no Dropox e atribuiu a ação a um funcionário da Polis Propaganda, empresa do marqueteiro.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT:

“A Construtora Norberto Odebrecht confirma que, em ação decorrente da 23ª Fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal efetuou hoje mandado de prisão temporária e busca e apreensão em Salvador. A CNO tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários”

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