PF prende filho do procurador-geral de Justiça do Tocantins por suspeita de fraude em licitações de rodovias

Renan Bezerra de Melo e o ex-secretário de Infraestrutura Alexandre Ubaldo são alvos da terceira fase da Operação Ápia, que mira dois ex-governadores e 7 empreiteiras que receberam R$ 1,2 bilhão do BNDES

Fausto Macedo e Mateus Coutinho

07 de fevereiro de 2017 | 16h56

 

Clenan Renaut. Foto: Ministério Público do Tocantins

O procurador-geral de Justiça, Clenan Renaut, pai do empresário preso. Foto: MP/Tocantins

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira, 7, o empresário Renan Bezerra de Melo, filho do procurador-geral de Justiça do Tocantins, Clenan Renault de Melo, na terceira fase da Operação Ápia – investigação sobre direcionamento de licitações e fraudes em contratos de obras de rodovias envolvendo pelo menos 7 empreiteiras que receberam R$ 1,2 bilhão do BNDES.

Além de Renan, a PF prendeu o empresário e ex-secretário de Infraestrutura do Tocantins Alexandre Ubaldo (governo Siqueira Campos/PSDB).

Siqueira Camppos e outro ex-governador do Tocatins, Sandoval Cardoso (SD), que chegou a ser preso em uma etapa anterior da Ápia, em 2016, são investigados pela PF.

A ordem de prisão temporária do filho do procurador-geral e do ex-secretário foi decretada pela Justiça Federal. Os empresários Erlon Marcelo Lima Vieira e José Maria Batista, supostamente envolvidos no esquema de fraudes, também tiveram prisão decretada.

A PF estima que o grupo sob investigação teria participação em desvios que podem alcançar entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.

O filho do procurador-geral de Justiça do Tocantins foi superintendente da Agetrans, órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura do Estado. A investigação da PF localizou um documento de 23 de dezembro de 2015, subscrito pelo pai de Renan, determinando à Secretaria da Fazenda do Estado que pagasse empreiteirasresponsáveis por obras de rodovias estaduais.

A determinação de Clenan Renault de Melo Pereira atendia reclamação da empreiteira EHL Eletro Hidro Ltda – investigada na Operação Ápia. O procurador-geral pediu, ainda, outras informações ‘sob pena por crime de desobediência’.

As obras que o procurador Clenan mandou pagar foram autorizadas em 2014 por seu filho Renan, então superintendente da Agetrans.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA JULIANA

Bezerra de Melo Pereira, que defende o irmão Renan Bezerra de Melo

Dada a palavra à advogada Juliana Bezerra de Melo Pereira, ela disse que só poderia se manifestar no final da tarde porque ainda está tomando ciência do que pesa contra seu irmão, Renan Bezerra de Melo.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO RUBENS MARTINELLI FILHO, DEFENSOR DE ALEXANDRE UBALDO

O advogado Rubens Martinelli Filho, que defende o empresário e ex-secretário de Infraestrutura do Tocantins, Alexandre Ubaldo, disse que vai tentar derrubar o decreto de prisão temporária por meio de um habeas corpus.

“Vamos entrar com habeas corpus e tomar todas as medidas possíveis e cabíveis para comprovar a inocência do meu cliente. Ainda não tive acesso ao inquérito e à imputação feita a ele, mas posso assegurar que Alexandre Ubaldo é inocente.”

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