PF prende ex-subsecretário de Saúde do Rio por violar delação

PF prende ex-subsecretário de Saúde do Rio por violar delação

Cesar Romero teria omitido em seu acordo com o Ministério Público Federal proteção dada a empresário alvo da Operação Calvário, que mira esquemas na saúde da Paraíba

Fábio Grellet/RIO e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

16 de janeiro de 2020 | 17h58

Polícia Federal. Foto: Fabio Motta/Estadão

O ex-subsecretário de Saúde do Estado do Rio de Janeiro Cesar Romero Vianna Júnior foi preso na tarde desta quinta-feira (16) pela Polícia Federal (PF), em um escritório na rua México, no centro do Rio. Segundo a PF, ele é acusado de descumprir uma cláusula do acordo de colaboração premiada que firmou com o Ministério Público Federal (MPF). Romero planejava deixar o país.

Ele teria sido preso nesta quinta-feira sob acusação de ter protegido um empresário, em sua delação, em troca de dinheiro. Gravações telefônicas confirmariam essa situação. Segundo a PF, Romero seria encaminhado ao sistema prisional, onde ficará à disposição da Justiça.

A prisão tem relação com omissões relacionadas a empresários alvo da Operação Calvário, deflagrada na Paraíba. Ele também é citado por colaboradores dessa investigação.

Segundo a delatora Michelle Louzada, que era secretária do empresário Daniel Gomes, pivô dos esquemas de corrupção na saúde da Paraíba, Romero teria vazado, em 2010, a informação de que a empresa de Gomes seria alvo de buscas e apreensões. Ela, então, teria ido de madrugada à empresa de Gomes para retirar documentos que incriminassem o empresário.

Romero, como se apresentava, foi delator da Operação Fratura Exposta, desdobramento da Lava Jato que investigou um esquema de corrupção na Secretaria Estadual de Saúde durante a gestão de Sérgio Côrtes (2007-2013). A operação foi realizada em abril de 2017 e gerou a prisão de Côrtes e dos empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, sócios de uma fornecedora de materiais hospitalares.

Romero foi denunciado em setembro de 2018 pelo MPF sob acusação de praticar corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas ao receber propina de Skin e Estellita, em outubro de 2011.

Até a publicação desta reportagem, o Estado não havia conseguido localizar representantes de Romero para que se pronunciem sobre a prisão.

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