PF prende em Búzios americano da TelexFree, pirâmide que vitimou um milhão e arrecadou US$ 3 bi

PF prende em Búzios americano da TelexFree, pirâmide que vitimou um milhão e arrecadou US$ 3 bi

Carlos Wanzeler foi localizado nesta quinta, 20, por ordem do Supremo Tribunal Federal, para fins de extradição aos EUA, onde é acusado de fraude por correspondência eletrônica, conspiração e lavagem de dinheiro

Pedro Prata e Luiz Vassallo

21 de fevereiro de 2020 | 17h59

A Polícia Federal prendeu em Búzios, no Rio, quinta, 20, Carlos Wanzeler, conhecido como a ‘face pública’ da Telex Free, esquema de pirâmide que vitimou um milhão de pessoas em todo o mundo e arrecadou R$ 3 bilhões. A ordem de prisão foi expedida para fins de extradição pelo Supremo Tribunal Federal.

A TelexFree é acusada de operar um esquema de pirâmide financeira que atraiu mais de um milhão de participantes ao redor do mundo. Inicialmente criada como uma empresa para vender serviços de telefonia pela internet, a companhia, segundo o processo, oferecia a abertura de contas para “promotores comerciais”.

Estas contas davam direito a publicação de anúncios onlines. Os participantes recebiam créditos pelos anúncios publicados e também por conseguirem novos membros. A promessa era de retornos de 200% a 250% para quem vendesse os pacotes e atraísse novos associados.

O preso, que perdeu a nacionalidade brasileira, é acusado nos Estados Unidos da prática dos crimes de fraude por correspondência eletrônica, conspiração e lavagem de dinheiro ‘por sua atuação à frente da empresa’.

Búzios, no Estado do Rio de Janeiro. Foto: Bruna Toni/Estadao

O procurado fugiu para o Brasil após a empresa ter sido formalmente acusada de praticar pirâmide financeira nos EUA. Para sair daquele país, o acusado cruzou a fronteira com o Canadá de carro e, dias depois, embarcou em um voo de Toronto para São Paulo.

No Brasil, os sócios da empresa e outros participantes do negócio foram denunciados pelo Ministério Público Federal pela prática de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular.

As investigações do Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil e da Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo contaram com a cooperação do Immigration and Customs Enforcement – ICE e do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos.

O preso ficará à disposição do Supremo até que seja autorizada sua extradição para os Estados Unidos.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem entrou em contato com a defesa. O espaço está aberto.

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