PF prende dois na Porto Victoria por evasão de R$ 120 milhões

Nova fase da investigação sobre lavagem de dinheiro na VenEzuela, EUA, Hong Kong, Reino Unido e Brasil revela fuga de capitais por meio de fretes marítimos simulados

Redação

24 de julho de 2015 | 14h31

Por Fausto Macedo e Julia Affonso

A Polícia Federal em São Paulo deflagrou na manhã desta sexta-feira, 24, uma nova etapa da Operação Porto Victoria, que investiga organização criminosa transnacional especializada em evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Os federais prenderam dois dos principais operadores do esquema e um terceiro ainda é procurado.

Em apenas um ano, os investigados executaram operações de evasão do Brasil de um montante de R$ 120 milhões.

A investigação foi iniciada em 2014 após solicitação da Agência Norte Americana de Imigração e Alfândega – ICE, para apuração de fatos envolvendo um brasileiro que atuaria junto a uma organização criminosa com ramificações no Reino Unido, Venezuela, Estados Unidos, Brasil e Hong Kong. Na primeira fase da Operação da PF, em 11 de junho, foram presos 12 alvos, entre eles o ex-vice-presidente do Banco do Brasil, Allan Simões Toledo – na ocasião da prisão ele atuava como executivo do Banif, banco de investimentos.

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O ex-vice presidente do Banco do Brasil Allan Toledo. Foto: Divulgação

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Durante as investigações da Porto Victoria, a PF identificou transações por meio do esquema dólar cabo, realizadas no Brasil e no exterior, à margem do sistema oficial de remessa de divisas. Segundo estimativas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), há movimentações, como indicativo de lavagem de dinheiro, de cerca de R$ 3 bilhões em três anos de atuação das empresas envolvidas.

A Porto Victoria é conduzida pelos delegados federais Rodrigo Sanfurgo e Alberto Ferreira Neto, que integram a Delegacia de Repressão a Ilícitos Financeiros e Desvios de Recursos Públicos, braço da PF em São Paulo.

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Na etapa desencadeada nesta sexta, 24, as investigações da PF identificaram uma nova modalidade de evasão de divisas, por meio da simulação de fretes marítimos. A organização abriu empresas e contas bancárias em Hong Kong que eram abastecidas com remessas lastreadas em documentos falsos.

O grupo promovia a falsificação de conhecimentos de embarques marítimos apenas para justificar a remessa de valores do Brasil ao exterior. A operação, segundo a PF, era realizada através do sistema financeiro nacional com o auxilio de bancários cooptados pela organização.

O grupo, segundo a PF, criou empresas de fachada em nome de laranjas apenas para recebimento de valores no Brasil e distanciamento de sua origem ilícita.

A PF informou que os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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