Após 29 anos, PF prende condenado por genocídio de indígenas Ianomâmi

Após 29 anos, PF prende condenado por genocídio de indígenas Ianomâmi

Eliézio Monteiro Neri, capturado em Boa Vista na noite desta quinta-feira, 5, foi um dos condenados pelo 'Massacre do Haximu', quando 16 indígenas foram assassinados por garimpeiros nas proximidades da fronteira com a Venezuela, em 1993

Pepita Ortega

06 de maio de 2022 | 09h20

Foto: REUTERS/Odair Leal

A Polícia Federal prendeu na noite desta quinta-feira, 5, em Boa Vista (RR), o garimpeiro Eliézio Monteiro Neri, que foi condenado por envolvimento no genocídio de indígenas Ianomâmi conhecido como ‘Massacre do Haximu’ e estava foragido.

Segundo a Polícia Federal, Neri foi abordado pela Polícia Militar quando estava em um supermercado. A corporação pediu o apoio da PM para a realização da prisão após receber a informação de que o garimpeiro chegaria na capital de Roraima pela rodoviária.

A chacina ocorreu em 1993, quando garimpeiros que atuavam em região próxima à fronteira com a Venezuela assassinaram 16 Ianomâmis. Entre os mortos havia mulheres, adolescentes crianças e um bebê.

Segundo o Ministério Público Federal, o massacre chegou ao conhecimento das autoridades em agosto daquele ano, por meio de um bilhete escrito por uma freira que estava em missão na região.

A Procuradoria relata que, no dia 15 de julho daquele ano, sete garimpeiros chamaram seis indígenas para caçar e assassinaram quatro desses. Ainda de acordo com o MPF, em retaliação, os indígenas mataram um dos garimpeiros.

Um mês depois, os garimpeiros invadiram uma área onde estavam integrantes da tribo e então mataram, a tiros e golpes de facão, 12 indígenas – um homem, duas idosas, uma mulher, três adolescentes, quatro crianças e um bebê, registra a denúncia apresentada pelo Ministéri Público Federal sobre o caso.

Em outubro daquele ano, a Procuradoria denunciou 24 garimpeiros, sendo que apenas cinco estavam ‘plenamente identificados’ – Pedro Emiliano Garcia, Eliézio Monteiro Neri, Waldinéia Silva Almeira, Juvenal Silva e Wilson Alves dos Santos.

A peça imputou ao grupo crimes de genocídio, associação para genocídio, garimpo ilegal, contrabando, ocultação de cadáver, crime de dano e formação de quadrilha.

Em dezembro de 1996, a Justiça Federal em Roraima condenou cinco pessoas: Pedro, Eliézio e Juvenal (que haviam sido identificados antes da apresentação da denúncia) e João Pereira de Morais e Francisco Alves Rodrigues (que foram ‘identificados plenamente’ durante o processo).

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região chegou a acatar recurso dos réus, levando-os a júri por homicídio. No entanto, em 2000, o Superior Tribunal de Justiça restabeleceu a decisão de primeiro grau e o entendimento sobre o crime de genocídio. Em 2006, o Supremo Tribunal Federal ratificou tal decisão.

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