PF prende Bené, apontado como operador de Fernando Pimentel

PF prende Bené, apontado como operador de Fernando Pimentel

Empresário foi levado nesta sexta-feira para a Superintendência da PF no Distrito Federal; ele é investigado na Operação Acrônimo por corrupção e lavagem de dinheiro

Fábio Fabrini, Andreza Matais e Beatriz Bulla, de Brasília

15 de abril de 2016 | 12h56

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O empresário Benedito de Oliveira, conhecido como Bené. Foto: Reprodução

O empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, apontado pela Polícia Federal como operador do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, em esquema de corrupção e fraude eleitoral, foi preso nesta sexta-feira. Ele foi levado para a superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal nesta manhã.

A prisão preventiva se dá no âmbito da Operação Acrônimo, que investiga recebimento de vantagens indevidas pelo governador mineiro quando o petista comandava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Acrônimo é mantida em segredo de justiça no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde é relatada pelo ministro Herman Benjamin. O despacho para a prisão é do dia 7 de abril.

A prisão esta relacionada a inquérito que apura suposta compra de portarias no ministério para favorecer a Caoa, que fabrica veículos da Hyundai. Mensagens telefônicas flagraram o empresário negociando a edição das normas para favorecer a montadora. Duas empresas de fachada de Bené receberam R$ 2 milhões da Caoa a título de consultoria. Para a PF, trata-se de vantagens indevidas pagas para obter as portarias.

Há indícios de que Bené atuou para maquiar a contabilidade de suas empresas durante o andamento das investigações. A PF chegou a essa informação a partir do depoimento de um dos investigados.

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A PF suspeita que o governador de Minas recebeu “vantagens indevidas” de Bené, ligado ao PT, e de empresas que obtiveram empréstimos do BNDES. Os investigadores também apuram indícios de que recursos obtidos de forma ilícita foram realocados para a produção de material gráfico para a campanha do petista ao governo de Minas em 2014. Os serviços foram prestados pela Gráfica Brasil, empresa que pertence à família de Bené, não teriam sido declarados. Pimentel já foi indiciado pela PF.

A publicitária Danielle Fonteles, sócia da agência Pepper Comunicação Interativa, que prestava serviços ao PT, confirmou em depoimentos prestados a investigadores da Operação que Bené atuava como uma espécie de “provedor” da primeira campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010, conforme relato de fonte com acesso ao caso.

Benedito se aproximou de Pimentel por meio do ex-deputado Virgílio Guimarães, o mesmo que apresentou ao PT o publicitário Marcos Valério, preso acusado de ser o operador de outro esquema, o mensalão. No governo Lula, Bené viu seus negócios explodirem. Nas gestões petistas, as empresas ligadas a ele faturaram mais de R$ 500 milhões por serviços supostamente superfaturados e não prestados.

 

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA JOSÉ LUÍS OLIVEIRA LIMA:

“A prisão preventiva é uma decisão de extrema gravidade que só deve ser aplicada em casos excepcionais e esta não é a situação de Benedito Rodrigues. O meu cliente sempre esteve à disposição da Justiça. Portanto, não há nenhum requisito para essa posição do ministro (Herman Benjamin, do STJ). Vou recorrer imediatamente dessa decisão.”

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