PF prende advogado em Brasília por ‘venda de fumaça’

Operação mira defensor que teria cobrado R$ 2 milhões de um prefeito afastado do cargo para o pagamento de assessores de ministros de tribunais superiores; investigação não vê 'qualquer indício de participação de servidores públicos nos fatos'

Fabio Serapião

10 Novembro 2017 | 08h03

Foto: Reprodução/Sindicato dos Delegados da Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 10, a Operação Mercador de Fumaça. A ação tem como objetivo cumprir um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal contra um advogado que atua em Brasília.

Em nota, a PF informou que o Inquérito Policial, instaurado a partir de uma notícia-crime encaminhada pelo Conselho Nacional de Justiça, aponta que o investigado solicitava valores para influenciar no curso de processos pendentes de julgamento no Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal.

Foi apurado que o advogado teria cobrado R$ 2 milhões de um prefeito que havia sido afastado do cargo. Parte dos valores seria usado para o pagamento de assessores de ministros de tribunais superiores, para viabilizar uma decisão favorável que proporcionaria um rápido retorno do prefeito ao cargo.

O investigado será indiciado pelo crime de exploração de prestígio, previsto no art. 357, parágrafo único, do Código Penal, que prevê pena de reclusão de 01 a 05 anos, com a causa de aumento de pena de 1/3.

Por já ser réu em ação penal por prática de crimes semelhantes, acusado de “vender” ministros do Tribunal Superior Eleitoral, a Polícia Federal representou pela prisão preventiva.

Não há qualquer indício de participação de servidores públicos nos fatos investigados.

O nome da operação se dá em razão dos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio serem conhecidos na prática forense como “venda de fumaça”.

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