PF pega cheque de R$ 200 mil de deputado na casa de empresário do porto

PF pega cheque de R$ 200 mil de deputado na casa de empresário do porto

Documento bancário assinado por Marcelo Squassoni (PRB/SP) foi apreendido em 31 de outubro na Operação Tritão, investigação que põe sob suspeita o ex-chefe da Companhia Docas do Estado de São Paulo Alex de Oliva e Mario Jorge Paladino, contratado para digitalização de documentos da estatal

Redação

29 Novembro 2018 | 05h00

Deputado Marcelo Squassoni. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

A Polícia Federal encontrou um cheque de R$ 200 mil do deputado Marcelo Squassoni (PRB/SP) na residência do empresário Mário Jorge Paladino, que foi preso em outubro como alvo da Operação Tritão – investigação sobre supostas fraudes em contratos milionários no porto de Santos, o maior do País. O parlamentar informou ao Estadão, por meio de sua Assessoria, que a folha de cheque ‘é da campanha eleitoral de 2014’ e seria usada para pagamento de uma gráfica por material de propaganda.

A informação sobre o cheque foi revelada pelo repórter José Claudio Pimentel, do G1/Santos, e confirmada pela reportagem do Estadão.

Paladino foi preso pela PF em 31 de outubro. Em sua residência, os federais encontram o cheque do deputado. O empresário é dono da MC3 Tecnologia que, em 2016, fechou contrato de R$ 7,3 milhões para digitalização do acervo documental da Companhia Docas do Estado de São Paulo.

Um aditamento de R$ 3,4 milhões despertou a atenção dos investigadores porque o serviço não teria sido concluído no prazo previsto.

A Operação Tritão também prendeu o ex-chefe do porto, José Alex de Oliva, diretor-presidente afastado da Companhia Docas do Estado de São Paulo, seu ex-assessor, Carlos Antônio de Souza, o Carlinhos, o diretor jurídico da Codesp, Gabriel Nogueira Eufrasio, o diretor de mercado da Codesp, Cleveland Sampaio Lofrano, e três empresários – Joelmir Francisco Barbosa, Joabe Francisco Barbosa e Mário Jorge Paladino.

Porto de Santos. Foto: José Patrício / Estadão

O desembargador Fausto Martin De Sanctis, do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), soltou todo o grupo, impondo aos investigados fianças no valor de R$ 120 mil a R$ 150 mil.

O contrato da MC3 entrou no radar da PF após a divulgação de um vídeo do ex-assessor da presidência da Companhia Docas, o Carlinhos, negociando com um intermediário o processo de digitalização. Ele foi secretário da Câmara de Guarujá, quando Squassoni ali exercia mandato de vereador.

Squassoni integra a Subcomissão Permanente dos Portos e Vias Navegáveis (SUBPORTO) na Câmara dos Deputados.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO MARCELO SQUASSONI

Em nota, por meio de sua Assessoria de Imprensa, o deputado Marcelo Squassoni esclareceu.

“O deputado federal Marcelo Squassoni é radicado em Guarujá há cerca de 30 anos e conhece o empresário Mário Jorge Paladino, que reside e mantém atividades na cidade.”

“A folha de cheque em questão é da campanha eleitoral de deputado federal de 2014 e seria usada para pagamento de gráfica que produziria material impresso de propaganda.”

“Mário era amigo do proprietário da gráfica e se propôs a ajudar na negociação diretamente com ele. Como a campanha não conseguiu arrecadar fundos suficientes para custear a produção do material em questão, o negócio foi desfeito e o cheque deixou de ter valor comercial a partir do encerramento da conta bancária da campanha.”

“Squassoni destaca que suas contas da campanha de 2014 foram devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral e, inclusive, pensava que a folha de cheque havia sido destruída, na ocasião.”