PF pega agenda de nomes e valores com suposto operador de Richa

PF pega agenda de nomes e valores com suposto operador de Richa

Agentes federais apreenderam cadernetas, manuscritos e cupom fiscal da compra de um Rolex com empresário Jorge Theodócio Atherino, apontado como elo de propinas da empreiteira Odebrecht com ex-governador do Paraná preso nesta terça, 11, na Operação Radiopatrulha

Fausto Macedo e Julia Affonso

12 Setembro 2018 | 14h10

A Polícia Federal apreendeu anotações manuscritas, relacionadas a nomes e valores, em poder do empresário Jorge Theodócio Atherino, apontado como operador de propinas do ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). Os dois foram presos nesta terça, 11.

Beto Richa foi capturado na Operação Radiopatrulha, do Ministério Público do Paraná. Jorge Atherino foi preso e alvo de busca e apreensão no âmbito de outra missão, a Operação Piloto, fase 53 da Lava Jato. Os agentes federais encontraram, ainda, com o empresário um cupom fiscal da compra de um relógio marca Rolex.

Documento

A nota fiscal é o item de número 6 das apreensões. “Cupom fiscal da compra de um relógio marca Rolex, no valor de R$ 17.600,94, acompanhada de um comprovante do Mastercard no valor de R$ 12.600,94”, anotou a equipe PR/23, da PF.

Os federais apreenderam também telefones celulares, tabletes, um computador, uma ‘caderneta de capa laranja, com algumas anotações manuscritas, relacionadas a valores’, uma ‘caderneta de capa azul com diversas anotações manuscritas, relacionadas a nomes e valores’, uma ‘agenda de capa verde, com diversas anotações manuscritas, relacionadas a nomes e valores’ e uma ‘agenda de capa amarela, com diversas anotações manuscritas, relacionadas a nomes e valores’.

O item de apreensão número 5 foi identificado como um ‘bloco de notas com a marca d’água ‘Matsuda’, tendo 17 folhas destacadas, contendo diversas anotações manuscritas relacionadas a nomes e valores’. Já o item 15 do auto de arrecadação foi descrito como ‘CD com as inscrições ‘depoimentos 25/6/18’’.

Por que a Lava Jato investiga Beto Richa

A Operação Piloto investiga os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude à licitação para duplicação da PR-323, no interior do Paraná, supostamente favorecendo a Odebrecht.

A Lava Jato afirma que, após a empreiteira vencer a licitação, em meados de julho de 2014, Jorge Atherino foi ao escritório da companhia em Curitiba para cobrar propinas supostamente ajustadas em encontros com o ex-chefe de gabinete Deonilson Roldo – braço direito de Beto Richa, também preso na Operação Radiopatrulha e na Operação Piloto.

Segundo os investigadores, após o contato de Atherino, o diretor-superintendente da Odebrecht para a região Sul e São Paulo demandou o Setor de Operações Estruturadas da companhia – responsável por pagamentos ilícitos – para que repassasse os subornos em favor de agentes públicos do Paraná.

A Lava Jato indicou que foi aprovado o pagamento ilícito de R$ 4 milhões, e Atherino informou os endereços em que deveriam ser entregues os valores.

A força-tarefa relatou que, após perícia da PF nos sistemas Drousys e MyWebDay do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – o departamento de propinas da empreiteira -, foram identificados registros de cinco pagamentos das propinas que foram estabelecidas na forma descrita acima, que totalizaram R$ 3,5 milhões, entre os meses de setembro e outubro de 2014. Os endereços de entrega eram no município de São Paulo, em condomínio relacionado à sogra de Jorge Atherino.

Além dos supostos pagamentos da Odebrecht, as investigações apontaram movimentações financeiras em contas de empresas relacionadas a Jorge Atherino que somaram aproximadamente R$ 560 milhões entre janeiro de 2014 e maio de 2018. Entre estas movimentações, está o recebimento de R$ 15.348.088,08 somente mediante depósitos em espécie.

A Lava Jato apontou ainda ‘forte suspeita de que as empresas em nome dos familiares do empresário e as contas em nome dos familiares dele tenham sido utilizadas para lavar dinheiro de origem criminosa, misturado a recursos de origem lícita’.

Dentre os pagamentos suspeitos efetuados por Jorge Theodocio Atherino, por empresas a ele ligadas e por familiares próximos, afirmam os investigadores, foram encontradas transferências para: Ezequias Moreira Rodrigues, que foi nomeado pelo então governador Beto Richa como secretário de Estado. Ezequias já foi condenado por contratar funcionários fantasmas para o gabinete do então deputado estadual Beto Richa.

COM A PALAVRA, JORGE THEODOCIO ATHERINO

O advogado Luiz Carlos Soares da Silva Júnior afirmou nesta quarta-feira, 12. “No momento, estamos analisando as provas e teses da acusação para prestar os esclarecimentos necessários e adotar as medidas cabíveis para defesa dos interesses de nosso cliente.”

COM A PALAVRA, BETO RICHA

A defesa do ex-governador Beto Richa até agora não sabe qual a razão das ordens judiciais proferidas. A defesa do ainda não teve acesso à investigação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ROBERTO BRZEZINSKI NETO, QUE DEFENDE DEONILSON ROLDO

O advogado Roberto Brzezinski Neto, que defende Deonilson Roldo, afirmou que está analisando os autos e vai se pronunciar.

COM A PALAVRA, EZEQUIAS MOREIRA RODRIGUES

A reportagem tentou contato com a defesa de Ezequias Moreira Rodrigues. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DO PARANÁ

Governo do Estado está colaborando com todas as investigações em curso.

A governadora Cida Borghetti ressalta que não aceita nenhum tipo de desvio de conduta dos seus funcionários e que criou a Divisão de Combate à Corrupção para reforçar o combate à esse tipo de crime. Hoje a divisão esta fazendo buscas e apreensão em uma operação que combate fraudes a licitação

O Governo do Estado vai aguardar a divulgação de mais informações a respeito dessa fase da Operação Lava Jato para tomar outras providências.