PF pediu prisão de ex-ministro de Itamar por desvios na Cemig

PF pediu prisão de ex-ministro de Itamar por desvios na Cemig

Djalma Morais, que dirigiu Pasta das Comunicações entre 1993 e 1995, também presidiu a Companhia Energética de Minas e é citado na Operação 'E o Vento Levou', quarta fase da Operação Descarte, deflagrada nesta quinta, 11, que mira aliados de Aécio Neves (PSDB/MG)

Julia Affonso e Fausto Macedo

11 de abril de 2019 | 17h22

Djalma Bastos de Morais. Foto: Reprodução/Ietec

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão do engenheiro Djalma Bastos de Morais, ex-ministro das Comunicações do governo Itamar, entre 1993 e 1995, no inquérito da Operação ‘E o Vento Levou’, quarta fase da Operação Descarte, deflagrada nesta quinta, 11, contra suposto desvio de R$ 40 milhões da Companhia Energética de Minas (Cemig).

Documento

Além de Djalma Morais, que presidiu a Cemig, outros dois importantes aliados do deputado Aécio Neves (PSDB/MG) são alvo das investigações e deles a PF também pediu a prisão – Oswaldo Borges, que presidiu a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas (Codemig) e o empresário Flávio Jacques Carneiro, do Grupo Bel (Editora Minas e Ediminas).

A juíza Fabiana Alves Rodrigues, da 2.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, autorizou a deflagração da Operação ‘E o Vento Levou’, ordenou buscas em 26 endereços de suspeitos, mas não mandou prender Morais, Oswaldo e Jacques Carneiro.

As investigações tiveram base nas revelações de três delatores – fecharam acordo de delação o diretor da empresa Casa dos Ventos Energias Renováves, Clécio Antônio Campodônio Eloy, o ex-diretor-jurídico da Renova Energia AS Ricardo Assaf e o operador financeiro Francisco Vila.

A informação sobre a delação foi antecipada pela coluna Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy.

Os delatores indicaram o caminho dos R$ 40 milhões.

A PF descobriu que as negociações com executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, então acionista da Cemig, não prosperaram em um primeiro momento.

A partir daí, segundo o inquérito da Operação ‘E o Vento Levou’, o ex-jurídico da Renova Energia Ricardo Assaf começou a sofrer pressão por parte de Ricardo Delneri – sócio fundador da Renova – e Fernando Schiffner, diretor de Novos Negócios e Participações da Cemig.

Segundo a PF, Delneri e Schiffner determinaram a Assaf que entrasse em contado com Djalma Morais, ‘presidente da Cemig que também tinha ciência dos repasses clandestinos que seriam efetuados’.

Segundo a Procuradoria da República, Assaf reuniu-se ‘algumas vezes’ com Djalma Morais nas dependências da presidência da Cemig e na sala vip da Líder Táxi Aéreo do aeroporto Santos Dumont, no Rio, e no apartamento do ex-ministro, no bairro de lpanema ‘para tratar dos repasses clandestinos’.

“Enfim, após a realização das transferências para as empresas indicadas ou operadas pelo grupo Claro Advogados, Ricardo Assaf passou a determinar, após receber orientações de Djalma Morais e Fernando Schuffner, que Francisco Vila efetuasse ‘saques’ de valores em espécie junto ao caixa paralelo operacionalizado por Luiz Carlos Claro e que entregasse dinheiro em espécie para pessoas que ele indicava.”

Tais saques constavam da contabilidade apreendida no grupo Claro Advogados, diz a investigação.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DJALMA MORAIS

A reportagem tenta contato com a defesa do engenheiro Djalma Morais. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A CEMIG

Por meio de sua Superintendência de Comunicação Empresarial, a CEMIG informou.

“A Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig informa que, na manhã desta quinta-feira 11/4), agentes da Polícia Federal e da Receita Federal estiveram na sede da empresa em Belo Horizonte para cumprir mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal de São Paulo em razão de indícios da prática de desvios de recursos em prejuízo da Cemig, em investigação de fatos ocorridos anteriormente a 2015, na empresa Renova, com sede na capital paulista.

A Cemig esclarece que está em total colaboração com as autoridades e que também tem interesse na rápida evolução dessas investigações. A empresa reforça o seu compromisso com a transparência e que manterá o mercado e a sociedade informados sobre a evolução desses fatos ocorridos no passado.”

COM A PALAVRA, A CASA DOS VENTOS

A Casa dos Ventos esclarece que nem a empresa, nem seus acionistas, nem seus administradores foram objeto de investigação, busca e apreensão ou quebras de sigilos, conforme atestado pelas autoridades.

Por iniciativa própria, a companhia já vem colaborando, sob sigilo, com as autoridades na apuração dos fatos, ocorridos há 5 anos.

COM A PALAVRA, A RENOVA

A Renova Energia vem por meio desta informar que, conforme divulgado pela imprensa na data de hoje (11/04/2019), a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação “E o Vento Levou”, quarta fase da Descarte, para apurar desvio de dinheiro da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) por meio do aporte de R$ 850 milhões na Renova. A Companhia esclarece que trata-se de uma investigação, ainda em curso, relacionada ao período anterior a 2015, e que irá colaborar com todas as informações necessárias para auxiliar os trabalhos da Polícia Federal e do poder judiciário. A Renova Energia afirma o seu compromisso com a transparência e que manterá todos informados sobre a evolução dos fatos. A Renova Energia não se pronunciará especificamente sobre a deleção, porém a Companhia afirma que está acompanhando os fatos e contribuindo com as investigações da Polícia Federal e do Poder Judiciário.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

A Andrade Gutierrez informa que ainda está buscando informações completas do que se trata a operação de hoje. No entanto, a empresa faz questão de afirmar que já demonstrou reiteradamente sua disposição de colaboração com a Justiça e esclarecer fatos ocorridos no passado por meio dos diversos acordos firmados com o Ministério Público Federal (MPF), Controladoria Geral da União (CGU), Advocacia Geral da União (AGU) e CADE. A companhia segue acompanhando a operação em andamento e se coloca à disposição para ajudar a esclarecer os fatos relacionados. A empresa reitera ainda seu apoio a todo tipo de ação que tenha como objetivo combater a corrupção.

COM A PALAVRA, AÉCIO NEVES

“O deputado federal Aécio Neves não conhece o assunto, razão pela qual não vai se pronunciar.”
Assessoria de Imprensa

COM A PALAVRA, A CODEMIG

Oswaldo Borges da Costa Filho foi presidente da Codemig de 10/01/03 a 19/12/14.

De parte da Companhia, não há o que manifestar.