PF pede original de bilhete de Marcelo Odebrecht

PF pede original de bilhete de Marcelo Odebrecht

Em manuscrito, presidente da maior empreiteira do País, preso na Lava Jato desde 19 de junho, dizia: 'destruir e-mail sondas'

Redação

13 de julho de 2015 | 18h25

Marcelo Odebrecht. Foto: Enrique Castro/Reuters

Marcelo Odebrecht. Foto: Enrique Castro/Reuters

Atualizada às 19h23

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

A delegada Renata da Silva Rodrigues, da Polícia Federal, pediu nesta segunda-feira, 13, o ‘original do bilhete’ redigido pelo presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho na etapa Erga Omnes, da Operação Lava Jato. O pedido foi encaminhado à defesa de Odebrecht.

Em 24 de junho, a PF informou à Justiça ter interceptado um bilhete manuscrito do empresário, que seria entregue a seus advogados. O papel, segundo a PF, continha a expressão ‘destruir e-mail sondas’.

“Intimem-se os defensores de Marcelo Bahia Odebrecht, pelo meio mais célere, solicitando que apresentem à autoridade policial signatária, no prazo de 24 horas, o original do bilhete redigido pelo preso Marcelo e cujo teor foi interceptado no dia 22 de junho de 2015 por agentes penitenciários da Custódia desta Superintendência Regional de Polícia Federal no Paraná, onde o preso está custodiado”, determinou a delegada.

Os advogados do empreiteiro afirmam que foram eles que informaram o juiz federal Sérgio Moro sobre a existência do bilhete na noite de terça-feira, 23 de junho. No dia seguinte, a informação sobre o manuscrito também foi comunicada à Justiça Federal pelo delegado Eduardo Mauat da Silva, que integra a força-tarefa da Lava Jato.

Foto: Reprodução

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Mauat informou que os advogados de Odebrecht, Dora Cavalcanti e Rodrigo Sanches Rios, estiveram em seu gabinete – naquela manhã de 22 de junho -, ‘os quais ponderaram que o verbo ‘destruir’ se referia a uma estratégia processual e não a supressão de provas, destacando que o documento original teria sido levado a São Paulo por outro advogado e que iriam apresentá-lo’.

Segundo a PF, uma das provas da Lava Jato que pode incriminar Marcelo Odebrecht é uma troca de e-mails entre funcionários da empreiteira. A mensagem eletrônica, de 2011, faz referência à colocação de sobrepreço de US$ 25 mil por dia em contrato de afretamento e operação de sondas.

A delegada federal Renata da Silva Rodrigues assinalou na petição para os defensores do empreiteiro. “Conforme já relatado nos Termos de Depoimento e devidamente retratado por meio de fotocópia, o bilhete redigido por Marcelo e cujo teor era direcionado a seus defensores veiculava em um de seus tópicos a frase “destruir e-mails sondas Vs RR”, o que sugere ordem/plano para destruição de provas no bojo de investigação criminal, fato sob apuração no presente IPL. Após fotocopiado, o bilhete original foi restituído no mesmo dia e até o presente momento não foi apresentado em sede policial, muito embora tenha existido solicitação verbal nesse sentido.”

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS DE MARCELO ODEBRECHT

Os criminalistas Dora Cavalcanti e Augusto de Arruda Botelho, que coordenam o núcleo de defesa de Marcelo Odebrecht, informaram que o bilhete foi entregue à Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná ‘para preservação das prerrogativas profissionais’.

A entrega do bilhete à OAB ocorreu logo depois de os advogados terem comunicado ao juiz federal Sérgio Moro o incidente ocorrido na Custódia da Polícia Federal.

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