PF pede continuidade de investigações contra Anastasia

PGR pediu para arquivar denúncia contra tucano sem esperar conclusão de apuração

Redação

03 de setembro de 2015 | 10h46

 

Antônio Anastasia. Foto: Fábio Motta/Estadão

Antônio Anastasia. Foto: Fábio Motta/Estadão

Atualizada às 15h08

Por Andreza Matais, Talita Fernandes e Beatriz Bulla, de Brasília

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a continuidade das investigações envolvendo o ex-governador e senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) com base em provas colhidas no inquérito aberto pela Corte.

No último dia 27 de agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF o arquivamento da investigação por falta de provas, mas segundo investigadores da PF ele tomou essa decisão sem aguardar a conclusão das diligências pela PF que haviam sido determinadas pelo ministro Teori Zavascki.

Segundo investigadores da PF, novos documentos supostamente trazem outros elementos ao caso.

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Na conclusão do inquérito, a PF informa que encontrou novos elementos que podem comprovar as informações do policial federal Jayme Careca, que disse em depoimento ter entregue dinheiro a uma pessoa que se parecia com Anastasia numa casa em Belo Horizonte. Ao pedir o arquivamento sem aguardar a conclusão do inquérito, Janot não tinha essa informação para tomar sua decisão.

O pedido da PF para continuar investigando Anastasia expõe divergências nos métodos de apuração das duas instituições.

As denúncias do procurador-geral da República contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o senador Fernando Collor (PTB-AL) também foram apresentadas antes mesmo da conclusão das diligências pela PF.

A PGR afirma que esse é um procedimento usual, mas não apresentou dados para demonstrar quantas vezes na gestão Janot denunciou antes da conclusão das investigações pela PF, solicitados pelo Estado há semanas.

O material enviado pela PF ao Supremo tem origem em uma denúncia feita por uma “cidadã comum” ao gabinete pessoal da Presidência da República, em janeiro deste ano. Na denúncia, a autora descreve uma residência na qual um dos mensageiros do doleiro Alberto Youssef teria efetuado um pagamento em dinheiro a um político que a PF investiga se é Anastasia. A denúncia relaciona o endereço descrito pelo ex-policial federal Jayme Alves de Oliveira (conhecido como Careca) para suposta entrega de dinheiro a pessoa “parecida” com o tucano a um imóvel pertencente a um engenheiro de Belo Horizonte.

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Embora a autora pedisse anonimato ao Palácio do Planalto, o nome dela é identificado na denúncia, encaminhada ao Ministério da Justiça e à PF. O Estado apurou que a denunciante já trabalhou na secretaria de Planejamento do governo de Minas Gerais, ainda na gestão tucana, encerrada em 2014.

No relatório da PF são citados dois endereços para a suposta casa onde o dinheiro teria sido entregue ao senador. Ambos no bairro de Belvedere, em Belo Horizonte, distantes cerca de 800 metros. Além da residência apontada pela denunciante, em uma primeira apuração, a PF chegou a um imóvel que pertenceria a um funcionário da Assembleia Legislativa de Minas. No relatório, é sugerida “a existência de relevantes vínculos entre os atuais e antigos moradores da residência localizada na av. José Maria Alkimim, 876, bairro Belvedere, Belo Horizonte/MG, e o grupo de sustentação política do senador Antonio Augusto Junho Anastasia”.

COM A PALAVRA, A DEFESA

Para Maurício Campos, advogado de Anastasia, é “absurdo casuísmo” a juntada de diligências que “sequer constavam do relatório parcial do delegado do caso” em junho. O advogado classifica como “estranho” o fato de a denúncia ser “tão antiga” quanto a instauração do inquérito, do início do ano. “As tentativas de vinculação de endereços e residências no bairro Belvedere, (na zona sul da capital mineira), com o senador Anastasia são especulações sem nenhum compromisso com a verdade, que tentam dar sobrevida a um procedimento que jamais deveria ter sido instaurado contra ele”, disse Campos. A assessoria do senador disse ainda que “confia no arquivamento solicitado pelo procurador-geral e pelo seu acolhimento pelo Supremo”.

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