PF não instalou grampo na cela de doleiro, afirma delegado

Igor Romário, da força-tarefa da Operação Lava Jato, depôs no processo contra executivos ligados ao Grupo Odebrecht e disse que equipamento estava desativado; outras testemunhas, arroladas pela defesa, também foram ouvidas nesta quarta, 16

Redação

17 de setembro de 2015 | 04h32

Por Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

O delegado de Polícia Federal Igor Romário de Paula, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou em depoimento nesta quarta-feira, 16, no processo contra executivos ligados ao Grupo Odebrecht, que ‘não existiu’ ordem para instalação de aparelho de escuta ambiental na Custódia da PF em Curitiba, base da missão.

Arrolado como testemunha, Igor Romário afirmou que ‘nenhuma autoridade envolvida na Operação Lava Jato, nem da Superintendência (da PF no Paraná)’ determinou a colocação de grampo para captar conversas do doleiro Alberto Youssef, peça central da investigação.

O DEPOIMENTO DO DELEGADO IGOR ROMÁRIO DE PAULA:

A suspeita é que o grampo seria usado para captar diálogos do doleiro com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, preso dias depois, para confrontar suas versões. Defensores de alvos da Lava Jato tentam desqualificar a investigação, e até obter sua nulidade, sob argumento de que teria havido grampos ilegais nas celas da PF.

“Até aquele momento (do encontro do equipamento) desconhecíamos que existia esse tipo de aparelho instalado no forro da Custódia”, declarou o delegado na audiência presidida pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, onde estão em curso todos os processos criminais da Lava Jato que não envolvem políticos com foro privilegiado.

Youssef foi preso dia 17 de março de 2014. O suposto grampo foi localizado cerca de duas semanas depois. “A gente vinha fazendo várias revistas na Custódia para localizar itens não autorizados”, relatou o delegado Igor Romário. “Por informação da possibilidade de haver um telefone lá dentro foi feita revista na Custódia e encontrado uma parte do equipamento nos pertences de Alberto Youssef. Até ali não sabíamos nem que o equipamento seria da Polícia, o que foi confirmado em seguida, tombado, pertencente ao Núcleo de Inteligência.”

Igor Romário esclareceu que as peças foram recolhidas, a administração da Superintendência comunicada e uma sindicância instaurada. ”

“A sindicância concluiu :que o equipamento não tinha condição de uso”, disse

Ao procedimento, segundo Igor Romário, foram anexados documentos ‘sugerindo que o equipamento estivesse lá (na Custódia) desde 2008 quando o preso Fernando Beira Mar (traficante de drogas) ficou lá’.

“Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, nos vários meses iniciais da operação, nunca estiveram presos na mesma cela”, informou Igor Romário. “Youssef foi ouvido na Polícia Federal e se manteve em silêncio. Paulo Roberto Costa foi ouvido no Rio de Janeiro. Não faz muito sentido uma escuta encontrada já danificada. Seria incoerente se estivéssemos realmente ouvindo e não ter tomado providência.”

Outro delegado de Polícia Federal que compõe a força-tarefa da Lava Jato Márcio Adriano Anselmo também depôs na audiência desta quarta-feira, 16. Ele foi indagado se a PF investigou os ex-deputados André Vargas (PT/PR) e Luiz Argôlo (ex-PP, afastado do SD/BA) quando eles ainda exerciam seus mandatos na Câmara. Ele disse que a PF não investigou deputados.

DEPOIMENTO DO DELEGADO MÁRCIO ANSELMO:

Vargas e Argôlo estão presos em Curitiba sob s uspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Eles teriam recebido propinas do esquema de corrupção que vigorou na Petrobrás entre 2004 e 2014. Os repasses, segundo a PF, foram feitos pelo doleiro Youssef.

Quando a fase ostensiva da Lava Jato ainda não havia sido deflagrada – março de 2014 -, a PF monitorou meios de comunicação do doleiro e de outros alvos da grande operação,amparada em ordem judicial. Ao interceptar mensagens pelo Black Berry de investigados, a PF deparou com a sigla LA. A força-tarefa da PF observa que ao identificar que LA era Luiz Argôlo imediatamente comunicou o juiz federal Sérgio Moro que, então, enviou essa parte dos autos ao Supremo Tribunal Federal.

VEJA TODOS OS DEPOIMENTOS DESTA QUARTA-FEIRA, 16:

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