PF não descarta atuação de Cedraz em outros contratos da Petrobrás

PF não descarta atuação de Cedraz em outros contratos da Petrobrás

Operação Abate II, fase 45 da Lava Jato, fez buscas em endereço do advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União, por suspeita de recebimento de comissão em contratação da estatal petrolífera para fornecimento de asfalto

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Bradnt

23 Agosto 2017 | 12h58

A Polícia Federal informou nesta quarta-feira, 23, que ‘não descarta’ atuação do advogado Tiago Cedraz em outros negócios sob suspeita da Petrobrás. A PF fez buscas no endereço de Tiago, filho do ministro Aroldo Cedraz, do Tribunal de Contas da União, na Operação Abate II, fase 45 da Lava Jato que investiga especificamente a contratação da empresa americana Sargeant Marine para fornecimento de asfalto.

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O suposto envolvimento de Cedraz, e também do advogado Sérgio Tourinho – igualmente, alvo de buscas na Abate II -, foi revelado pelos operadores de propinas do PMDB Jorge Luz e Bruno Luz, pai e filho. “Os operadores informaram que participaram das tratativas iniciais da contratação da Sargeant Marine”, disse o delegado Fillipe Pace, da Polícia Federal.

Segundo o delegado, o negócio ‘contou com o apadrinhamento político do ex-deputado Cândido Vaccarezza’. Ex-líder dos Governos Lula e Dilma na Câmara, Vaccarezza chegou a ser preso na Abate I, sexta-feira, 18, e foi solto nesta terça, 22, por ordem do juiz federal Sérgio Moro.

“Após a contratação esses indivíduios (Cedraz e Tourinho) receberam valores de comissão”, declarou o delegado Pace.

A PF destacou que o escritório de advocacia de Cedraz não está sob suspeita. “Não há sequer vinculação da função de advogado, muito menos o fato de ele ser filho de um ministro do TCU. Ele (Cedraz) e Sérgio Tourinho conheciam Jorge Luz, que capitaneava aquele grupo criminoso, e com o sucesso da contratação da Sargeant Marine, em virtude do apadrinhamento político de Cândido Vaccarezza, receberam comissão. Depois, eles foram afastados do grupo, o que vai ser melhor apurado.”

Segundo a PF, os operadores Luz identificaram Tiago Cedraz e Sértio Tourinho como as siglas ‘TC’ e ‘ST’ que constavam de planilha apreendida na Lava Jato.

“Tínhamos siglas não identificadas no material que indicava o repasse de valores de propinas e comissão nesse caso da Sargeant. Jorge e Bruno relataram que as siglas se referiam a Sérgio e a Tiago. Esse fato bem específico foi capitaneado por Jorge e Bruno. Eles esclareceram, tomamos as medidas deflagradas hoje, mas não descartamos a participação deles (Cedraz e Tourinho) em outros fatos que ainda vão ser investigados.”

COM A PALAVRA, TIAGO CEDRAZ

O advogado Tiago Cedraz reitera sua tranquilidade quanto aos fatos apurados por jamais ter participado de qualquer conduta ilícita, confia na apuração conduzida pela Força Tarefa da Lava Jato e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos necessários.

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