PF monitorou residência de ‘alvo’ Marcelo Odebrecht

PF monitorou residência de ‘alvo’ Marcelo Odebrecht

Relatório mostra até imagens aéreas de condomínio em São Paulo, feitas dias antes da Operação Erga Omnes, e atribui a empreiteiro 'alta sensibilidade'

Redação

23 de junho de 2015 | 14h18

Foto: Reprodução/PF

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Por Ricado Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Polícia Federal monitorou o condomínio do ‘alvo’ Marcelo Bahia Odebrecht durante vários dias que antecederam a Operação Erga Omnes, a nova etapa da Lava Jato deflagrada sexta-feira, 19, que mirou exclusivamente nas maiores empreiteiras do País, entre elas a Construtora Norberto Odebrecht.

Relatório do Núcleo de Análise da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, braço da PF em Curitiba – base da Lava Jato – mostra inclusive imagens aéreas da residência do empreiteiro, situada no Jardim Pignatari, em São Paulo.

Foto: Reprodução/PF

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O documento destaca dificuldades dos agentes em se infiltrar no condomínio composto de 45 casas espalhadas em quatro quadras e atribui a Marcelo Odebrecht ‘alta sensibilidade’.

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A PF precisava identificar precisamente a localização do ‘alvo’ no dia da Operação Erga Omnes.

“Foram realizadas diligências com o objetivo de identificar qual das residências é de fato a residência do investigado Marcelo Odebrecht”, diz o relatório da PF. “Todavia, devido à alta sensibilidade do alvo e ao fato do condomínio possuir diversas ferramentas de segurança, não foi possível realizar diligência dentro do mesmo.”

Foto: Reprodução/PF

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Marcelo Odebrecht foi preso por ordem do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Lava Jato. A PF suspeita que a empreiteira da qual ele é o presidente integrou cartel que se apossou de contratos bilionários na Petrobrás por meio de fraudes a licitações e corrupção.

“O estilo do dirigente Marcelo Odebrecht é o de interagir tecnicamente quanto aos assuntos da empresa (conforme verificado no caso das sondas), na mesma linha do observado com os demais executivos investigados”, diz um trecho de relatório da PF.

A Odebrecht nega taxativamente qualquer envolvimento com a Lava Jato. No dia da deflagração da Operação Erga Omnes, a empreiteira emitiu nota alegando que considerava ‘desnecessária’ a prisão de seus executivos. Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela empreiteira da sexta-feira, 19.

“A Construtora Norberto Odebrecht (CNO) confirma a operação da Polícia Federal em seu escritório em São Paulo e no Rio de Janeiro, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Da mesma forma, alguns mandados de prisão e condução coercitiva foram emitidos.

Como é de conhecimento público, a CNO entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Construtora Norberto Odebrecht”

Em comunicado publicado nesta segunda-feira, 21, nos principais jornais do País, a Odebrecht nega ter participado de qualquer cartel na Petrobrás. “Não há cartel num processo de contratação inteiramente controlado pelos contratantes, como ocorre com a Petrobrás, onde a mesma sempre definiu seus próprios orçamentos e critérios de avaliação técnico-financeiro e de performance.”

O grupo considera ainda uma afronta aos princípios básicos do Estado de Direito a sustentação de prisão para evitar a reiteração criminosa “por não terem as autoridades competentes proibido a Construtora Norberto Odebrecht de contratar com a Administração Pública, principalmente no que concerne o último pacote de concessões, que no momento é apenas um conjunto anunciado de intenções”.

O texto justifica que a “Controladoria Geral de União, a Advocacia Geral da União e o Ministério da Justiça afirmaram publicamente que as empresas somente podem sofrer restrições para contratar com a Administração Pública após julgadas e condenadas com observância do devido processo legal.”

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