PF mira saques fraudulentos de R$ 2 milhões em precatórios da Caixa

PF mira saques fraudulentos de R$ 2 milhões em precatórios da Caixa

Operação Eleazar fez incursões nesta quarta, 12, em quatro Estados para desarticular organização criminosa que atuava em todo o País

Pedro Prata

12 de fevereiro de 2020 | 19h19

Caixa Econômica Federal. Foto: Daniel Teixeira / Estadão Conteúdo

A Polícia Federal deflagrou a Operação Eleazar nesta quarta, 12, para combater saques fraudulentos de R$ 2 milhões em precatórios em várias regiões do País. A organização criminosa contava com servidores da Caixa, advogados, falsários e funcionários de cartórios.

A operação foi deflagrada pelo delegado de Polícia Federal Cláudio Roberto Trapp, de Criciúma, em Santa Catarina.

Segundo ele, a PF identificou uma tentativa de saque fraudulento por uma advogada em Capivari de Baixo, em Santa Catarina.

A Caixa informou que diversos saques semelhantes teriam sido identificados em todo o País. Após a investigação, a PF identificou que todos os crimes teriam sido cometidos pela mesma quadrilha.

Os falsários faziam contato por WhatsApp com advogados que mantinham seus currículos na internet. Os advogados eram convencidos a realizar os saques mediante o pagamento de parte dos saques.

“Os advogados eram enganados com documentos ideologicamente falsos, oficializados em cartório”, revelou Cláudio Roberto Trapp, delegado de Polícia Federal de Criciúma, responsável pela Operação Eleazar.

Cerca de 70 policiais federais cumpriram 19 mandados de busca e apreensão e 1 mandado de prisão preventiva no Maranhão (municípios de Zé Doca, Nova Olinda do Maranhão e São Luís), Piauí (Teresina, Porto e Nossa Senhora dos Remédios), Pará (Redenção e São Félix do Xingu) e São Paulo (São João da Boa Vista).

Também foram expedidas duas medidas cautelares diversas da prisão contra servidores da Caixa e decretado o bloqueio de contas e sequestro de bens.

Eleazar é o nome em hebraico de Lázaro, o qual, de acordo com o Evangelho, teria sido ressuscitado por Jesus Cristo. Trata-se de uma referência à Operação Lázaro, deflagrada pela Polícia Federal em junho de 2016, que investigou o mesmo esquema, por meio do qual um grupo criminoso selecionava precatórios disponíveis para saques, preferencialmente de pessoas já falecidas, mediante a falsificação de documentos.

Organização criminosa

A PF identificou 12 integrantes da organização criminosa.

Dentre eles, estariam servidores da Caixa que passavam informações para a organização criminosa sobre precatórios disponíveis para saque.

O delegado da PF informou. “Com a colaboração da Caixa, identificamos possíveis colaboradores que passavam as informações dos precatórios para essa organização criminosa. Passavam as informações, os integrantes confeccionavam procurações falsas com ajuda de alguns cartórios e com isso conseguiam materializar o documento oficial exigido pela Caixa para disponibilizar o valor.”

Pelo menos três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cartórios do Maranhão e do Piauí para apurar participação no esquema fraudulento.

“A gente acredita que eles colocavam informações falsas nos documentos”, informou o delegado Trapp. “Por isso estamos apurando possível participação de funcionários dos cartórios no esquema.”

Após os saques indevidos, os criminosos faziam sucessivas movimentações financeiras dos valores em contas de terceiros, para afastar a origem ilícita dos recursos e dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiados com as fraudes.

Os investigados poderão ser indiciados pela prática dos crimes de organização criminosa, estelionato majorado, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.

Tudo o que sabemos sobre:

Operação EleazarCaixa Econômica Federal

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.