PF mira relações de empreiteira com tesoureiro do PT

Operação Lava Jato quer reunir provas contra João Vaccari Neto

Redação

19 de novembro de 2014 | 18h55

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba e Fausto Macedo

A Polícia Federal aposta nos depoimentos dos executivos da OAS, que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, como o caminho mais rápido para reunir provas do suposto envolvimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no esquema de cartel, corrupção e propina envolvendo grandes construtoras do País, políticos e agentes públicos em obras da Petrobrás.

O tesoureiro do PT foi apontado pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef – delatores da Lava Jato – como operador do esquema de propina para o partido na Petrobrás. Segundo os delatores, Vaccari atuava na Diretoria de Serviços e Engenharia, sob comando de Renato Duque, indicado pelo PT, segundo três delatores do processo.

Foto: Evelson de Freitas/Estadão

Foto: Evelson de Freitas/Estadão

Duque foi preso sexta feira, 14, pela Operação Juízo Final, sétima etapa da Lava Jato. A Justiça converteu sua prisão temporária em preventiva.

O executivo da OAS José Ricardo Nogueira Breghirolli, que havia sido preso temporariamente na sexta-feira, e agora vai ficar detido em regime preventivo, é apontado como o responsável por um pagamento para a cunhada de Vaccari, em dezembro de 2013, Marice Correa de Lima. Ela teve pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal, mas o juiz federal Sergio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, decidiu que ela deveria ser conduzida pelos policiais federais para depor.

A cunhada é suspeita de ter recebido R$ 110 mil do doleiro Alberto Youssef por indicação dos executivos da OAS. No depoimento que tomou de outro executivo da OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro – presidente do grupo – o delegado perguntou a ele sobre o pagamento de R$ 244 mil ao todo.

Breghirolli, que está em um organograma montada pela PF demonstrando o caminho do dinheiro, era um dos contatos do doleiro Alberto Youssef em seu celular. Os dois trocaram mensagens que foram interceptadas pela Polícia Federal. Ele aparece na lista de contatos do doleiro como “J.Ricardo”.

“Segundo as mensagens, José Ricardo orienta Youssef a efetuar uma entrega aos cuidados de sra. Marice, no dia 03/12/2013, às 14h30min, no endereço Rua Doutor Penaforte Mendes, 157, AP 22, Bela Vista”, destaca relatório da PF.

Os policiais da Lava Jato sustentam que a destinatária seria “Marice Correa de Lima”. No organograma montado pela PF, Breghirolli aparece junto a Youssef, Vaccari, sua mulher, Giselda Rousie de Lima, e a irmã dela, Marice Correia de Lima.

“Marice Correa de Lima é figura conhecida na época do mensalão, coordenadora administrativa do PT, que, na época, teria efetuado um pagamento de um milhão, em espécie, à Coteminas”, registra o pedido de prisão da Juízo Final feito pela polícia.

A Coteminas é a empresa da família do ex-vice-presidente José Alencar (PR-MG), morto em 2011.

Na época, a CPI dos Correios investigou o caso e a empresa informou que os pagamentos foram de serviços prestados para o PT na confecção de camisas. Na época, o PT confirmou que o então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, pediu que Marice, que era funcionária do diretório, levasse dois envelopes de pagamentos à empresa.

Tudo o que sabemos sobre:

João Vaccari Netooperação Lava Jato