PF mira novo reitor da Universidade Brasil por ameaças à delatora de fraudes no Fies e venda de vagas

PF mira novo reitor da Universidade Brasil por ameaças à delatora de fraudes no Fies e venda de vagas

O advogado Adib Abdouni é o principal alvo da segunda fase da Operação Vagatomia, chamada 'Verità Protetta', que cumpre três mandados de busca e apreensão na sede da Universidade Brasil na capital paulista e no escritório e residência do atual reitor; Addouni foi afastado do cargo por determinação da Justiça

Pepita Ortega e Fausto Macedo

13 de fevereiro de 2020 | 08h34

Atualizada às 11h51 de 13.02 com posicionamento da Universidade Brasil*

Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta, 13, a Operação ‘Verità Protetta’ e mira o atual reitor da Universidade Brasil, Adib Abdouni, por supostas ameaças e intimidações a testemunhas e à delatora da Operação Vagatomia – investigação sobre venda de vagas no curso de medicina, irregularidades no exame de revalidação de diplomas e fraudes no Fies e no ProUni de até R$ 500 milhões.

Agentes cumprem três mandados de busca e apreensão na sede da Universidade Brasil na capital paulista e no escritório e residência do atual reitor. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Jales.

A Justiça afastou Abdouni do cargo na Universidade Brasil e determinou ainda que ele cumpra uma série de medidas cautelares, entre elas a proibição de contato com investigados da Vagatomia, a obrigação de comparecer ao juízo mensalmente para informar suas atividades e a proibição de se ausentar da região onde reside por mais de 30 dias sem autorização judicial.

A representação contra o reitor foi apresentada à Justiça pelo Delegado Cristiano Pádua da Silva, que conduz o inquérito da Vagatomia. O chefe da PF em Jales chegou a pedir a prisão preventiva do atual reitor da Universidade Brasil, mas a medida foi negada.

Segundo a PF, os pedidos tinham como objetivo ‘cessar ameaças e intimidações proferidas Addouni a testemunhas e à colaboradora da Vagatomia, bem como em razão do receio externado por pais e alunos em decorrência do comportamento intimidatório do reitor’.

A primeira fase da Vagatomia foi aberta em setembro do ano passado para investigar esquema no curso de medicina da Universidade Brasil que envolvia venda de vagas, irregularidades nos cursos de complementação do exame Revalida, para revalidação de diploma, além de fraudes de até R$ 500 milhões em bolsas do ProUni e na concessão do Fies. Na ocasião, José Fernando Pinto da Costa, dono da universidade, e seu filho chegaram a ser presos.

Adib Adbouni. Foto: Divulgação

Em outubro, o advogado Adib Abdouni foi nomeado reitor da Universidade pela esposa de José Fernando Pinto da Costa, dono da universidade preso na Vagatomia.

Segundo a PF, ‘o novo reitor assumiu as funções e deu início a uma série de ofensas e ameaças à colaboradora das investigações, testemunhas e autoridades públicas responsáveis pela apuração dos crimes cometidos pela organização criminosa investigada’.

A corporação informou que o reitor afastado poderá responder pelos crimes de obstrução de investigação de organização criminosa e coação no curso do processo.

Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal indicou ainda que o nome da Operação, ‘Verità Protetta’ – do italiano ‘verdade protegida’ em italiano – faz alusão ‘à proteção daqueles que colaboram com a justiça e têm a obrigação de dizer a verdade’.

“As investigações demonstraram que pessoas vinculadas às investigações e à própria instituição de ensino (como por exemplo alunos, testemunhas e colaboradora) foram expostas e intimidadas pelo atual reitor, o que pode influenciar em seus depoimentos e prejudicar a busca pela verdade dos fatos”, disse a PF em nota.

COM A PALAVRA, A UNIVERSIDADE BRASIL

“A Universidade Brasil, nesta data, foi vítima de retaliação de um delegado da Polícia Federal — ex-professor da escola, afastado — e do Ministério Público Federal da cidade de Jales (SP). O primeiro foi alvo de representação judicial do reitor Adib Abdouni.

O delegado, consorciado com a ex-funcionária da Universidade — que o havia contratado e se tornou delatora premiada — com o apoio do MP, conseguiu de um juiz, também de Jales, inverter os papéis, de acusado para acusador.

Em nenhum momento o reitor da Universidade Brasil, Adib Abdouni, ameaçou testemunhas ou a colaboradora premiada. A investida contra a Universidade deixa-a acéfala e a torna presa fácil para ofertas de compra por parte de grandes grupos de ensino com ações negociadas em Bolsa de Valores, a preço vil.

No legítimo direito de defesa e sem cometer ilegalidades, o reitor Adib Abdouni havia entrado com representação contra o delegado da Polícia Federal Cristiano Pádua da Silva — contra este foi pedida inclusive sua prisão —, uma vez que vinha intimidando funcionários do campus Fernandópolis da Universidade e o próprio reitor.

A verdade é que desde que Adib Abdouni assumiu a reitoria, em 25 de outubro de 2019, adotou uma série de medidas para colaborar com as autoridades na identificação de possíveis irregularidades que tivessem sido cometidas anteriormente e punir os envolvidos. Criou, inclusive, a Diretoria de Compliance, chefiada por uma delegada da Polícia Federal aposentada.

A Universidade confia que a Justiça será feita e que rapidamente o reitor Adib Abdouni voltará às suas funções, para desgosto de seus detratores e dos concorrentes dessa instituição de ensino.”

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