PF descobre ‘banco do crime’ que lavou R$ 700 milhões da corrupção e do tráfico

PF descobre ‘banco do crime’ que lavou R$ 700 milhões da corrupção e do tráfico

Operação Tempestade - segunda fase da ofensiva que investigou ‘importante e sofisticado’ braço financeiro do PCC - cumpre cinco mandados de prisão, quatro preventivas e uma temporária, além de executar 22 ordens de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Tietê, Guarujá, Rio de Janeiro e Brasília

Pepita Ortega

03 de maio de 2021 | 08h03

Operação Tempestade. Foto: Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda, 3, a Operação Tempestade para desarticular núcleo financeiro responsável pela lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e da corrupção. Segundo os investigadores, a ofensiva tem o objetivo de desarticular uma estrutura identificada como um ‘banco do crime’ que tinha entre seus beneficiários alvos antigos de ofensivas da PF, como as Operações Navalha, Prato Feito e Zelotes.

Agentes cumpremcinco mandados de prisão – quatro preventivas e uma temporária – e fazem 22 buscas em endereços de São Paulo, Tietê, Guarujá, Rio de Janeiro e Brasília. Entre os alvos vasculhados pelos investigadores estão residências, empresas e dois escritórios de advocacia.

“Os investigados que foram presos preventivamente hoje atuavam como se fossem um banco do crime. Porque recebiam valores proveniência ilícita, sacavam esses valores e entregavam fisicamente para os beneficiários. Esses beneficiários, alguns deles, tem contato com servidores públicos, outros não. Tem caso que a gente tem que avançar na investigação para saber se efetivamente vai ter envolvimento de desvio de recurso público. Nesse momento é precário falar sobre isso. Alguns beneficiários foram investigados pela PF. O destino desse dinheiro, só com a 2ª fase da investigação, a gente vai compreender o nível de expansão desses beneficiários”, explicou o delegado Rodrigo de Campos Costa em coletiva.

A PF aponta que foi determinado o sequestro de cerca R$ 30 milhões dos investigados, em imóveis e veículos, além da interdição de seis empresas. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que também decretou o bloqueio de valores em contas das pessoas físicas e jurídicas no limite de R$ 225.778.732,31.

Segundo informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado realizou operações financeiras atípicas superiores a R$ 700 milhões.

A ‘Tempestade’ é a segunda fase da Operação Rei do Crime, ofensiva aberta em setembro de 2020 contra ‘importante e sofisticado’ braço financeiro do PCC. Na ocasião, foi decretado o bloqueio de mais de R$ 730 milhões dos investigados, além da interdição de mais de 70 empresas utilizadas para lavagem de dinheiro do tráfico.

As investigações identificaram que o núcleo financeiro sob suspeita vinha desenvolvendo atividades voltadas à lavagem de dinheiro não só do tráfico de drogas, mas também da corrupção. Segundo a corporação, o modus operandi do grupo era ‘a entrega física de valores a suspeitos de práticas ilícitas’.

“Identificamos que o grupo preso era especializado na entrega física de valores para pessoas que não podiam fazer uso da estrutura financeira regular de mercado. Eles tinham uma pessoa jurídica que se dizia ser uma instituição financeira e havia todo um sistema de branqueamento de capital ilícito, com montagem de empresas fictícias e expedição de nota, e ao final havia a entrega física de dinheiro”, indicou Costa.

Segundo o delegado, o grupo ‘presta serviços’ para pessoas quem têm problemas jurídicos ou são investigadas e assim não podem movimentar valores. O investigador indicou que os principais alvos da operação são supostas intermediários da lavagem do dinheiro, sendo que foram identificadas entregas físicas que superam R$ 10 milhões.

A PF diz ter observado um esquema de abertura de empresas fictícias. Segundo a corporação, tais companhias eram usadas como ‘cortina de fumaça’ para a realização de depósitos em espécie em uma instituição financeira de ‘fachada’ – que por sua vez providenciava os saques dos valores e posterior entrega a terceiros com indícios de envolvimento em atividades ilícitas.

Operação Tempestade. Foto: Polícia Federal

 

Operação Tempestade. Foto: Polícia Federal

 

 

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