PF mira fraudes no Banco de Brasília e neto do general Figueiredo

PF mira fraudes no Banco de Brasília e neto do general Figueiredo

Força-tarefa Greenfield cumpre mandados de prisão e buscas nesta terça-feira, 29, no âmbito da Operação Circus Maximus, deflagrada contra suposta organização criminosa instalada na instituição; entre os alvos estão Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho e, ainda, um filho do ator Francisco Cuoco

Luiz Vassalo, Igor Moraes, Teo Cury e Breno Pires/ BRASÍLIA

29 de janeiro de 2019 | 09h12

Em um edifício do BRB na capital federal, agentes da PF realizam busca e apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos e telefones celulares. Foto: José Cruz/ Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou ontem uma operação mirando um esquema criminoso de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão temerária no seio do Banco de Brasília (BRB) que recolheu pelo menos R$ 40 milhões em propinas em troca da liberação de recursos do próprio banco e de fundos de pensão de estatais e órgãos públicos administrados que ele administra.

Os crimes geraram prejuízo aproximado de R$ 400 milhões, segundo a Procuradoria da República do Distrito Federal, que pediu à 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal o bloqueio de valores e bens de 25 pessoas e empresa até atingir essa quantia. Entre os 14 presos, seis fazem ou fizeram parte do quadro de diretores do BRB.

O antigo Trump Hotel, no Rio de Janeiro. Foto: Lianne Milton/ New York Times

O grupo criminoso, de acordo com as investigações, era composto de membros do banco, empresários e operadores financeiros, liderados por Ricardo Leal, do Conselho Administrativo do BRB, nomeado pelo então governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg. Além de Leal, foram presos preventivamente (quando não há prazo para a prisão se esgotar) o diretor-presidente do BRB licenciado, Vasco Cunha Neto, recém-nomeado para a presidência do Banco do Espírito Santo (Banestes). Outros três diretores tiveram prisão temporária, por 5 dias.

Entre os presos que não faziam parte do banco estão um neto do general João Figueiredo, ex-presidente do Brasil durante a Ditadura Militar entre 1979 e 1985, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, e um filho do ator Francisco Cuoco, Diogo Cuoco, ambos supostamente envolvidos no esquema de propinas e lavagem de dinheiro.

Paulo Figueiredo Filho é um dos sócios de um Fundo de Investimento LSH ancorado na construção do Trump Hotel na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Um aporte para o FI LSH foi conseguido por meio de pagamento de propina a Ricardo Leal.

Quem admitiu ter feito o pagamento de R$ 250 mil como propina foi outro sócio do FI LSH, Ricardo Rodrigues, que firmou delação premiada. Segundo o delator, R$ 100 mil seriam para pagar saldo de campanha de Rodrigo Rollemberg ao governo do DF em 2014.

Dispensando uma análise mais criteriosa dos riscos envolvidos em certas operações financeiras e investimentos, em troca de propina, a atuação criminosa do grupo lesou centenas de milhares de investidores e participantes de ao menos 3 fundos de investimentos, BRS Participações FIC FIM, BRB Premium e Turmalina, e 9 regimes de previdência dos servidores públicos (RPPS) municipais — Itanhaém-SP, PERGS, Santos-SP, Campinas-SP, Campos-RJ, Iperon-RO, Canoas-RS, Corbélia-PA, IPMS-Suzano. Também houve prejuízo a quatro instituições de previdência complementar: Igeprev-TO, Faps-RS, Iprev, Regius.

Foram vasculhados 33 endereços comerciais e residenciais no Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal – incluindo a sede do BRB.

Outro lado. As defesas de Ricardo Leal e Vasco Gonçalves não foram localizadas. O Banco de Brasília disse que apoia e coopera integralmente com a investigação e adotará todas as medidas judiciais cabíveis visando preservar o banco e suas empresas controladas.

Rodrigo Rollemberg negou, por meio da assessoria de imprensa, que Ricardo Leal tenha sido tesoureiro de campanha em 2014 ou que tenham restado dívidas a serem saldadas em 2015. Disse que conhece Ricardo Leal e o indicou para integrar o Conselho de Administração do BRB por suas qualificações técnicas, tanto que à época teve seu nome aprovado pelo Banco Central. “Durante o período em que governei o Distrito Federal o BRB teve autonomia administrativa e financeira, sem qualquer tipo de intervenção”, acrescentou.

O banco informa que a operação corre em segredo de justiça e todas as informações são repassadas exclusivamente às autoridades policiais.

O BRB adotará todas as medidas judiciais cabíveis visando preservar o banco e suas empresas controladas.”

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