PF mira esquema milionário de lavagem de dinheiro para tráfico de drogas

PF mira esquema milionário de lavagem de dinheiro para tráfico de drogas

Batizada de Dracma, a ação mira um grupo que teria causado prejuízo aos cofres públicos de cerca de R$ 300 milhões por meio da sonegação de impostos

Fabio Serapião/BRASÍLIA

14 de março de 2019 | 09h26

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou na manhã dessa quinta-feira, 14, uma operação com o objetivo de combater uma organização criminosa que atua na lavagem de capitais e evasão de divisas oriundas do tráfico internacional de drogas. Batizada de Dracma, a ação mira um grupo que teria causado prejuízo aos cofres públicos de cerca de R$ 300 milhões por meio da sonegação de impostos.

Segundo a PF, grandes empresas comerciais-exportadoras do estado de Rondônia se valiam há anos de “atividades secundárias de captação e administração de capitais, remessa e conversão de câmbio” de pessoas físicas que se dedicam à prática do tráfico de drogas.

Cerca de 220 policiais federais e 22 servidores da Receita Federal participam da operação para dar cumprimento aos 72 mandados de busca e apreensão, em diversas cidades dos Estados de Rondônia, Pará e Mato Grosso. O Exército dá apoio logístico à operação.

O esquema, diz a PF, funcionava da seguinte forma: essas empresas, na maioria sediadas em Guajara-Mirim (RO), ao invés de repatriar parte dos lucros adquiridos na venda de produtos para Bolívia encaminhava o dinheiro para cambista do país vizinho. Por sua vez, traficantes do Pará e da região Nordeste enviavam dinheiro para pequenas empresas que depois encaminhavam os valores para as grandes empresas sediadas em Rondônia.

Em seguida, explica a PF, essas grandes empresas emitiam autorizações de pagamentos que credenciava os pagadores a sacar o valor com cambistas na Bolívia.

Os portadores sacavam esse dinheiro e utilizavam os valores na compra de droga na Bolívia, um dos maiores produtores de cocaína da região.

“A vantagem para as empresas de grande porte era a apresentação ao fisco de lucro formal aquém do efetivamente conquistado e o consequente pagamento de tributos a menor. Os intermediários recebiam entre um e cinco por cento dos valores recepcionados e encaminhados para o país vizinho, a título de remuneração”, explicou a PF em nota.

O prejuízo tributário de R$ 300 milhões foi causado porque as grandes se valiam irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente para a área de livre comércio de Guajará Mirim/RO. Os investigadores calculam que cerca de R$ 2 bilhões em mercadorias tenham sido retirados da área sem o devido recolhimento de impostos.