PF mira desvios em contrato de R$ 190 mi para requalificação de rodovia em Pernambuco

PF mira desvios em contrato de R$ 190 mi para requalificação de rodovia em Pernambuco

Segunda fase da Operação Outline cumpre nove mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em Recife, Paulista, Serra Talhada e ainda em Brasília, no Distrito Federal

Pepita Ortega e Fausto Macedo

08 de maio de 2020 | 08h24

Km 51 da BR-101 no Grande Recife. Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta, 8, a segunda fase da Operação Outline para desarticular uma organização criminosa desviava recursos públicos destinados à obra de requalificação da BR-101, no trecho do Contorno Viário da Região Metropolitana de Recife – entre o Km 51,6 e o Km 82,3.

Cerca de 40 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. As ações são realizadas em Recife, Paulista, Serra Talhada, em Pernambuco, e ainda em Brasília, no Distrito Federal.

As ordens expedidas pela Justiça Federal de Pernambuco que também decretou sequestro de bens imóveis situados em Recife e Gravatá.

Segundo a PF, o valor do contrato firmado para a execução da obra supera R$ 190 milhões, sendo que os maiores repasses seriam feitos do Governo Federal ao Departamento de Estradas e Rodagens de Pernambuco (DER/PE).

Relatórios de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE/PE) apontaram que a obra vinha sendo executada com materiais, especialmente asfalto, de baixa qualidade e pouca durabilidade.

A corporação informou que na primeira fase da operação, aberta em novembro de 2019, foram apreendidos documentos e arquivos digitais que revelaram evidências dos desvios como, por exemplo, a contratação de empresa fantasma.

As buscas também sinalizaram evolução patrimonial de ex-servidores do DER/PE incompatível com seus vencimentos.

Foram encontradas ainda, evidências de que a Secretaria de Transporte do Estado de Pernambuco, vinculada ao Departamento de Estradas e Rodagens de Pernambuco e atualmente extinta, teria sido ‘condescendente’ com as fraudes, diz a PF.

A Polícia Federal afirma que os investigados podem responder pelos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas, somadas, podem ultrapassar os 40 anos de reclusão.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.