PF mira ex-governador de Goiás e apreende R$ 2,5 mi em dinheiro vivo

PF mira ex-governador de Goiás e apreende R$ 2,5 mi em dinheiro vivo

Justiça ordenou sequestro de 65 imóveis avaliados em cerca de R$ 35 milhões e o afastamento da função pública de dois servidores da Saneago (Companhia de Saneamento de Goiás); ex-governador José Eliton (PSDB) é alvo de busca e apreensão

Redação

28 de março de 2019 | 07h36

Ex-governador José Elinton. Foto: Reprodução/Facebook

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 28, a Operação Decantação 2 contra fraude em licitações e desvio de verbas públicas da Companhia Saneamento de Goiás (Saneago) por empresários, dirigentes da empresa e agentes públicos do Governo do Estado de Goiás, entre os anos de 2012 e 2016. O ex-governador José Eliton (PSDB) foi alvo de busca e apreensão da operação. Em endereços de investigados, os agentes apreenderam R$ 2,3 milhões em dinheiro vivo.

O dinheiro estava em duas malas. Em uma delas, encontrada no carro de Luiz Alberto de Oliveira, ex-chefe de gabinete de Marconi Perillo (ex-governador/PSDB), havia R$ 1 milhão. A outra mala, de R$ 1,3 milhão, foi encontrada com Gisela Oliveira, filha de Luiz Alberto.

Segundo a PF, Perillo não é investigado nesta operação.

Em nota, a PF informou que cumpre cinco mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão, expedidos pela 11ª Vara Federal de Goiás, nos municípios de Goiânia/GO e Aparecida de Goiânia/GO. Também foi determinado, pela justiça, o sequestro de 65 imóveis avaliados em cerca de R$ 35 milhões e o afastamento da função pública de dois servidores da Saneago.

Foto: PF

A ação é decorrente da análise de materiais apreendidos na Operação Decantação, deflagrada em 2016, que desarticulou célula criminosa responsável pelo desvio de cerca de R$ 4,5 milhões da Saneago.

Na análise, foi constatado que três empresas, de um único dono, foram beneficiadas em contratos junto à companhia de saneamento, mesmo com impedimentos fiscais e não sendo especialistas na prestação dos serviços demandados, o que indica direcionamento de licitação.

Segundo as investigações, parte dos recursos recebidos pela prestação de serviços à Saneago era repassada para o chefe de gabinete do então governador do Estado. Foi apurado ainda que o ex-vice-governador teria utilizado, por diversas vezes, uma aeronave de propriedade de uma das empresas beneficiadas pelos contratos.

Foto: PF

Há indícios de que as empresas também eram utilizadas para lavagem de dinheiro, uma vez que ficou comprovada transferência de valores na ordem de R$ 28 milhões entre o chefe de gabinete do ex-governador e a conta de uma das empresas.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, fraudes em processos licitatórios e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de demais implicações penais ao final da investigação.

O nome Decantação faz alusão a um dos processos de tratamento de água, em que ocorre a separação de elementos heterogêneos.

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