PF mira Collor por esquema de lavagem de R$ 6 mi em leilões

PF mira Collor por esquema de lavagem de R$ 6 mi em leilões

Operação Arremate cumpre 16 mandados de busca e apreensão para investigar ocultação de patrimônio do senador através da arrematação de bens em hastas públicas

Breno Pires / BRASÍLIA, Pepita Ortega e Fausto Macedo/ SÃO PAULO

11 de outubro de 2019 | 09h38

Senador Fernando Collor. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta, 11, a Operação Arremate, para investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo compras de imóveis em leilões públicos. A ação apura suposto envolvimento do senador e ex-presidente Fernando Collor (PROS-AL) em arrematações de bens, cujos valores, segundo a PF, somam R$ 6 milhões.

Cerca de 70 policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador em Maceió (AL) e em Curitiba (PR).

As ordens foram autorizadas pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

Em seu perfil no Twitter o senador se disse ‘indignado’ com a investigação.

Fernando Collor. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAO

Os crimes teriam ocorrido a partir da compra de imóveis em hastas públicas em 2010, 2011, 2012 e 2016. Hasta é um ato da justiça pelo qual são vendidos bens de um devedor, para que, com o dinheiro da venda, possa-se pagar a um credor e as custas de um processo de execução de dívida.

A corporação diz que o senador teria utilizado uma pessoa interposta – ‘testa-de-ferro’ – para ocultar sua participação como beneficiário final das operações.

“As compras serviriam para ocultar e dissimular a utilização de recursos de origem ilícita, bem como viabilizar a ocultação patrimonial dos bens e convertê-los em ativos lícitos”, diz a Polícia Federal.

No conjunto de ilícitos em apuração, estão os crimes de lavagem de ativos, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e falsificações, além de integrar organização criminosa.

Fernando Collor. Foto: Dida Sampaio/Estadão

COM A PALAVRA, A DEFESA

Em sua página do Twitter, o senador Fernando Collor escreveu: “Estou indignado com a tentativa de envolver meu nome num assunto em que não tenho nenhum conhecimento ou participação. Trago a consciência tranquila e a certeza de que, mais uma vez, ficará comprovada a minha inocência.”

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