PF mira candidatos de facção em Mato Grosso e flagra mulher que tentou destruir celular já apreendido

PF mira candidatos de facção em Mato Grosso e flagra mulher que tentou destruir celular já apreendido

Investigações da Operação Captura de Estado apontam que os integrantes da facção criminosa escolhem prévia e internamente seus candidatos por meio de 'enquetes' e depois, por meio de 'salves' em redes sociais, financiam e patrocinam os políticos

Redação

11 de novembro de 2020 | 13h08

Urna eletrônica utilizada nas eleições brasileiras. Foto: Dida Sampaio / Estadão

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta, 11, a Operação Captura de Estado para investigar práticas eleitorais ilícitas por integrantes de facção criminosa que atua no Mato Grosso. Três membros do grupo foram alvo de ordens de busca e apreensão expedidas pela 9ª Zona Eleitoral de Barra do Garças.

Uma das investigadas acabou sendo presa em flagrante após ter tentado destruir aparelho celular que já tinha sido apreendido pela Polícia Federal. Segundo a corporação, ela inclusive já foi candidata ao cargo de vereadora no município de Nova Iguaçu  (RJ), em eleições passadas.

A Polícia Federal informou que os integrantes da facção criminosa escolhiam prévia e internamente seus candidatos por meio de ‘enquetes’ e depois, por meio de ‘salves’ dados em redes sociais, financiam e patrocinam candidatos políticos.

De acordo com a corporação, o nome da ofensiva, ‘Captura de Estado’ faz alusão a fenômeno conhecido como ‘captura/reconfiguração cooptada’.

Trata-se de “prática ilícita em que organizações criminosas buscam, por meio de patrocínio e financiamento de campanhas políticas de candidatos previamente selecionados por suas ‘lideranças’, bem como outras condutas ilícitas de coação e ameaças de eleitores, a inserção de pessoas em posições estratégicas políticas, legislativas e executivas”, diz a PF.

Para sustentar os esquemas, as facções praticam crimes como corrupção eleitoral, lavagem de capitais e falsidades eleitorais, completou a corporação.

A PF informou ainda que a ação faz parte da atuação da corporação na apuração de possível inserção de representantes previamente escolhidos por facções criminosas no âmbito político (legislativo e executivo), juntamente com o fenômeno da desinformação eleitoral, ‘de modo a preservar a lisura do do processo eleitoral e do ambiente democrático’.

“A Polícia Federal ressalta, ainda, aos eleitores a desnecessidade de prestação de contas de seu voto a qualquer pessoa e/ou facção criminosa que imponha tal conduta sob ameaça ou violência de qualquer natureza, conforme apontam as denúncias investigadas, sendo o voto secreto nos termos da Constituição Federal. Qualquer conduta de tal natureza deve ser comunicada aos órgãos de controle e fiscalização eleitoral, quais sejam, Polícia Federal, Ministério Público Eleitoral e Justiça Eleitoral para a imediata adoção das medidas cabíveis”, ressaltou a corporação em nota.

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