PF mira assessor de Eunício suspeito de receber R$ 318 mil de propina em espécie

PF mira assessor de Eunício suspeito de receber R$ 318 mil de propina em espécie

Segundo investigação da Operação Lava Jato, prestador de serviço do grupo J&F entregou 'vantagem indevida' a Gilberto Loyola, então chefe de gabinete da tesouraria do MDB nacional e considerado emissário do ex-senador

Paulo Roberto Netto

06 de novembro de 2019 | 05h00

A Polícia Federal investiga o ex-chefe de gabinete da Tesouraria do MDB Gilberto Loyola, por supostamente receber propinas destinadas ao ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE) em troca de apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

Nesta terça, 5, por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo, a PF fez buscas em endereços de Loyola e também em uma empresa de táxi aéreo suspeita de simular notas fraudulentas para ocultar propina ao senador Eduardo Braga (MDB/AM).

De acordo com as investigações a entrega do dinheiro em espécie ‘foi feita por um prestador de serviço do Grupo JBS responsável pelo recolhimento de valores em supermercados clientes do grupo empresarial no Nordeste’.

À época, Loyola era chefe do gabinete da Tesouraria do MDB em Brasília e foi considerado pelos investigadores um emissário do então senador Eunício, que se candidatou ao governo do Ceará em 2014.

Eunício é investigado por supostamente receber cerca de R$ 6 milhões em propinas do grupo de Joesley Batista, ocultados em simulação de contratos com duas empresas de cinema (R$ 1 milhão), um centro de pesquisas de opinião (R$ 2 milhões) e duas doações oficiais destinadas ao parlamentar pela JBS no valor de R$ 2,62 milhões. Soma-se a isso os R$ 318 mil entregues em espécie a Gilberto Loyola.

Documento

O ex-senador também teve a prisão temporária solicitada pela Polícia Federal sob fundamento de que a ação era ‘indispensável para identificar fontes de prova e obtenção de informações quanto à autoria e materialidade das infrações penais investigadas’.

O ministro do Supremo, no entanto, considerou a medida ‘extrema’ e afirmou que o pedido não apresentava indicação de condutas concretas dos investigados contra as apurações.

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE EUNÍCIO OLIVEIRA

“Nem o empresário Eunício Oliveira, nem nenhum endereço ou pessoas ligados a ele, foram objeto de quaisquer ações judiciais decorrentes dessa decisão do ministro Luiz Edson Facchin. Como sempre o fez, o ex-senador está à disposição para prestar os esclarecimentos que o Poder Judiciário achar necessários.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GILBERTO LOYOLA

A reportagem busca contato com os advogados do ex-chefe de gabinete da Tesouraria do MDB. O espaço está aberto para manifestações.

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