PF mira advogado e joalheiro por lavagem no esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia

PF mira advogado e joalheiro por lavagem no esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça da Bahia

Nova fase da Operação Faroeste, chamada de Estrelas de Nêutrons, cumpre quatro mandados de busca e apreensão em Salvador

Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de dezembro de 2019 | 09h10

Fachada do Tribunal de Justiça da Bahia, em Salvador. Foto: TJBA / Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta, 19, uma nova fase da Operação Faroeste, batizada de Estrelas de Nêutrons, para investigar um advogado e um joalheiro por suposto envolvimento na lavagem de dinheiro do esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Segundo a Procuradoria-Geral da República, a dupla seria ligada a dois dos principais investigados na Faroeste.

Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão em Salvador. As ordens foram expedidas pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.

A Faroeste foi inicialmente desencadeada no dia 19 de novembro para investigar um esquema de venda de decisões judiciais que tinha o propósito legitimar a venda de terras na região oeste da Bahia. A grilagem teria sido praticada em 800 mil hectares de terras no oeste do estado.

Na ocasião, foram afastados os desembargadores Gesivaldo Nascimento Britto, presidente afastado do TJ da Bahia, José Olegário Monção Caldas, Maria da Graça Osório Pimentel Leal, Maria do Socorro Barreto Santiago, e os juízes Marivalda Almeida Moutinho e Sérgio Humberto de Quadros Sampaio.

As fases seguintes da Operação, prenderam o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio, da 5ª Vara de Substituições da Comarca de Salvador e a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago. Durante buscas na primeira etapa da investigação, agentes da Polícia Federal encontraram no quarto da magistrada R$ 100 mil em reais, euros e dólares em espécie, além de obras de arte, joias, brincos, colar de ouro e três Rolex.

No último dia 10, a Procuradoria-Geral da República denunciou, no Superior Tribunal de Justiça, quatro desembargadores e outras 11 pessoas no âmbito da investigação.

Dos 15 denunciados, seis estão presos preventivamente: Maria do Socorro , Sérgio Sampaio, Adailton Maturino dos Santos, que se apresentava como o “cônsul” de Guiné-Bissau, Geciane Souza Maturino dos Santos, advogada e esposa de Adailton, Antonio Roque do Nascimento Neves, que é secretário judiciário do TJBA, e Marcio Duarte Miranda, advogado, genro da desembargadora Maria do Socorro.

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