PF mapeia R$ 571 mil do ‘rei do contrabando’ para ex-Dersa

PF mapeia R$ 571 mil do ‘rei do contrabando’ para ex-Dersa

Law Kin Chong, apontado como um dos maiores contrabandistas do Brasil pela PF, teria realizado três repasses por meio de empresa controlada por ele para uma firma de ex-diretor de Engenharia da Desenvolvimento Rodoviário S.A, responsável pelas obras do Rodoanel em São Paulo

Fabio Serapião, Julia Affonso, Fabio Leite e Luiz Vassallo

21 Junho 2018 | 16h49

Os investigadores da Operação Pedra no Caminho mapearam três depósitos bancários de uma empresa de Law Kin Chong, considerado pela Polícia Federal como um dos maiores contrabandistas do Brasil, para uma firma ligada ao ex-diretor de Engenharia da Dersa, Pedro da Silva. As transações se deram entre o Grupo Paulista de Investimentos, de Chong, e as empresas Star Bar e SCJ Agropecuária, segundo a PF, ligadas a Pedro da Silva. As operações se deram entre junho de 2013 e janeiro de 2014 e somam R$ 571 mil.

Documento

A informação sobre recursos do ‘rei do contrabando’ supostamente destinados ao ex-diretor da Dersa consta de relatório da PF que deu base para deflagração da Operação Pedra no Caminho – investigação que mira supostos desvios milionários das obras do Trecho Norte do Rodoanel. A Justiça Federal em São Paulo decretou a prisão de 15 investigados, entre eles Laurence Casagrande, ex-diretor-presidente da Dersa e ex-secretário de Logística e Transportes do governo Alckmin (PSDB).

Segundo a PF, o diretor da ex-diretor da Dersa integra o núcleo administrativo da suposta organização criminosa que teria por meio de fraudes em aditivos contratuais superfaturado em R$ 131 milhões as obras do trecho norte do Rodoanel. A obra foi licitada e executada pelo governo de São Paulo durante a gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Para o delegado do caso João Luiz Moraes Rosa, os repasses representam ‘graves indícios do recebimento de valores com origem ilícita, possivelmente vantagens indevidas’. Pedro Silva substituiu Paulo Vieira de Sousa, outro ex-diretor de Engenharia da Dersa que foi preso por causa de outras supostas irregularidades também em obras do Rodoanel.

“Assim, a pouco conservadora movimentação bancária de Pedro da Silva e de suas empresas está a indicar o recebimento de vultosas quantias em espécie, tendo como depositantes indivíduos que, em tese, não têm condições econômico-financeiras para tanto. Trata-se, dessa forma, de graves indícios do recebimento de valores com origem ilícita, possivelmente vantagens indevidas, circunstância a ser melhor perquirida por ocasião do cumprimento das medidas cautelares ao final pleiteadas, caso sejam deferidas”, diz a representação da PF.

Low Kin Chong, por sua vez, é uma velho conhecido das autoridades de São Paulo devido a sua atuação como contrabandista e fornecedor de mercadorias para comerciantes da 25 de Março, tradicional centro comercial de produtos importados.

“Law Kin Chong já foi considerado um dos maiores contrabandistas do Brasil, preso em novembro de 2007 pela Polícia Federal, provável dono de boxes no popularmente conhecido Shopping 25 de Março, nesta cidade de São Paulo, bem como de diversos imóveis em São Paulo, segundo amplamente divulgado na imprensa”, afirma a PF em sua representação que deflagrou a Pedra no Caminho.

A operação teve início em inquérito policial foi instaurado em 2016, segundo a PF, após um ex-funcionário de uma empresa que atuou nas obras apresentar informações acerca de possíveis manipulações em termos aditivos do trecho Norte da obra do Rodoanel.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE LAW KIN CHONG

O Grupo Paulista de Investimentos e Participações LTDA realizou pagamentos a Pedro Silva e outros a título de uma transação imobiliária, relativa à compra de um imóvel do qual ele era um dos proprietários. O negócio firmado entre as partes há cinco anos nada tem relação com a operação de hoje, nominada Pedra no Caminho, tampouco está incluída na investigação da Polícia Federal.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA DANIEL BIALSKI, QUE DEFENDE PEDRO PAULO DANTAS DO AMARAL CAMPOS

Daniel Bialski que defende Pedro Paulo Dantas do Amaral Campos, gestor do Centro de Operações do trecho Norte da Dersa ressalta “A prisão é desnecessária. Não podemos esquecer que a custódia em qualquer modalidade é uma exceção e não há demonstração de que era imprescindível. Pedro é exemplar funcionário de carreira na Dersa, com elogios e sem qualquer mácula. Ele prestará todos os esclarecimentos necessários, já que não praticou qualquer ilicitude e aguardará a revogação da medida imposta.” finaliza Bialski.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoDERSARodoanel