PF investiga responsáveis por queimadas que devastaram mais de 25 mil hectares do Pantanal em MS e suspeita de incêndio para abrir pasto

PF investiga responsáveis por queimadas que devastaram mais de 25 mil hectares do Pantanal em MS e suspeita de incêndio para abrir pasto

Operação Matáá cumpre dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Corumbá e Campo Grande para investigar supostos envolvidos com queimadas que atingiram Áreas de Preservação Permanentes e os limites do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e da Serra do Amolar

Pepita Ortega

14 de setembro de 2020 | 09h47

Foto: Reprodução PF

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira, 14, a Operação Matáá, para apurar a responsabilidade criminal pelas queimadas na região do Pantanal Sul. Cerca de 31 agentes cumprem dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Corumbá e Campo Grande para investigar supostos envolvidos com queimadas que devastaram mais de 25 mil hectares do bioma pantaneiro, atingindo áreas de preservação permanente e os limites do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e da Serra do Amolar.

Durante a ofensiva aberta na manhã desta segunda, 14, agentes periciaram as áreas afetadas pelas queimadas e ainda ouviram uma série de envolvidos. As ordens de busca cumpridas foram expedidas pelo Juízo da 1ª Vara Federal de Corumbá e as diligências foram feitas em fazendas nas margens do rio Paraguai. Em razão da impossibilidade de voo por causa da fumaça das queimadas, os agentes chegaram até os locais em barcos, informou a PF.

Ao longo da operação foram apreendidos celulares e documentos. Na casa de um proprietário rural em Corumbá foram encontradas armas não registradas. Ele foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.

A Polícia Federal informou que por meio da análise de imagens de satélites e o sobrevoo das áreas foi possível identificar o início e a evolução diária dos focos de queimadas da região. Segundo o delegado Alan Givigi, chefe da delegacia da PF de Corumbá, as imagens apontaram que os incêndios se iniciaram em fazendas isoladas com indicativos da utilização do fogo como um meio de limpeza de pastos destinados à agropecuária.

Segundo a corporação, o nome da operação, ‘Matáá’, significa ‘fogo’ no idioma guató e faz referência aos índios pantaneiros Guatós que vivem nas proximidades das áreas atingidas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de dano a floresta de preservação permanente, dano direto e indireto a Unidades de Conservação, incêndio e poluição, cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos de prisão, informou a PF.

O Estadão mostrou o efeito devastador das queimadas sobre as matas e os animais do Pantanal, em uma série de reportagens publicadas neste domingo. Os repórteres Vinícius Valfré e Dida Sampaio acompanham a maior série de queimadas na região nas últimas duas décadas direto de Poconé no Mato Grosso. Após as reportagens, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou que enviará neste domingo ao local um representante da Pasta e também ofereceu ajuda aos governos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul para o combate ao fogo.

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