PF investiga repasse de R$ 8,1 bilhões à JBS

PF investiga repasse de R$ 8,1 bilhões à JBS

Segundo a PF, os aportes do banco público foram realizadas após a contratação de empresa de um político, o que teria agilizado o processo. O ex-ministro Antonio Palocci é investigado, mas não foi alvo de medidas cautelares

Fabio Serapião e Fausto Macedo

12 de maio de 2017 | 08h22

Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

O principal alvo da operação Bullish é a empresa JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista. Embora a empresa não seja alvo de busca e apreensão, a Polícia Federal faz buscas e leva coercitivamente para depor pessoas envolvidas nos aportes bilionários que o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) realizou para que as empresas da família Batista se tornassem a maior produtora e comercializado de proteína animal do mundo.

A Justiça Federal em Brasília determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas casas dos irmãos Joesley e e Wesley Batista, donos da JBS, que detém as marcas Friboi e Seara. Também é alvo da medida o ex-presidente do banco Luciano Coutinho.

Documento

O ex-ministro Antonio Palocci (Governos Lula e Dilma) e sua empresa de consultoria, a Projeto, são investigados.

O juiz Ricardo Augusto Leite,da 10.ª Vara Federal de Brasília, proibiu os irmãos Joesley e Wesley Batista de promoverem qualquer mudança estrutural nas empresas do grupo J&F Investimentos. Também determinou que não possa ser feita a inclusão ou exclusão de sócios até a produção do relatório final da Polícia Federal sobre os negócios dos irmãos.

Segundo a PF, os aportes do banco público foram realizadas após a contratação de empresa de um político. Por conta disso, as operações de desembolso dos recursos públicos teriam tido tramitação recorde. O ex-ministro Antonio Palocci, preso em Curitiba por conta da Lava Jato, é investigado pela PF. Entretanto, o petista não foi alvo das medidas cautelares autorizadas pela 10ª Vara Federal de Brasília.

O BNDESPar tem mais de 581 mil ações da JBS, ou cerca de 21% em participação na empresa. Segundo a PF, os aportes, realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões.

Nesse período, os principais investimentos do banco público tiveram como objetivo apoiar a expansão da JBS. Um dos maiores aportes foi utilizado para a compra de R$ 3,5 bilhões em debêntures para fortalecer o caixa da empresa com a compra da americana Pilgrim’s e com a incorporação da Bertin S.A.

O caso da Bertin SA já estava na mira dos investigadores uma vez que há indícios de participação do operador Lúcio Funaro na transação.

COM A PALAVRA, A JBS

Nota sobre a Operação Bullish

A JBS informa que sempre pautou o seu relacionamento com bancos públicos e privados de maneira profissional e transparente. Todo o investimento do BNDES na Companhia foi feito por meio da BNDESPar, seu braço de participações, obedecendo a regras de mercado e dentro de todas as formalidades. Esses investimentos ocorreram sob o crivo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em consonância com a legislação vigente. Não houve favor algum à empresa.

Todos os atos societários advindos dos investimentos da BNDESPar foram praticados de acordo com a legislação do mercado de capitais brasileiro, são públicos e estão disponíveis no site da CVM e no site de relações com investidores da JBS.

COM A PALAVRA, LUCIANO COUTINHO

“Em relação à operação realizada hoje pela Polícia Federal, a defesa do ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho vem a público afirmar que todas as operações com a JBS foram feitas dentro da mais absoluta regularidade, e Coutinho está e sempre esteve à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos solicitados por autoridades sobre a questão.

A defesa do ex-presidente ainda não teve acesso aos autos, mas tem convicção de que demostrará, ao longo do processo, a lisura de todas as ações realizadas durante sua gestão.

Coutinho está absolutamente tranquilo e encontra-se no exterior em compromisso profissional previamente agendado, regressando ao Brasil no começo da semana que vem, quando poderá prestar todos os esclarecimentos pertinentes sobre o caso.”

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