PF investiga R$ 300 mil a desembargador por liberdade a suspeito de ligação com quádruplo homicídio

PF investiga R$ 300 mil a desembargador por liberdade a suspeito de ligação com quádruplo homicídio

Ronaldo Eurípides, ex-presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, é alvo da Operação Toth, que rastreia suposto esquema de venda de sentença judicial

Julia Affonso

18 Agosto 2018 | 06h30

Ronaldo Eurípedes. Foto: TJTO

A Operação Toth investiga um suposto pagamento de R$ 300 mil ao ex-presidente do Tribunal de Justiça do Tocantins, desembargador Ronaldo Eurípedes, para liberação de um homem suspeito de envolvimento em um quádruplo homicídio. O desembargador é o principal alvo da investigação deflagrada na quarta-feira, 15, sobre venda de sentença na Corte estadual.

Endereços ligados a Eurípedes e seu gabinete do TJ foram vasculhados pela Polícia Federal. Os mandados judiciais foram ordenados pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (SRJ).

“No que se refere, especificamente, ao investigado Wendell Araújo de Oliveira, como se infere dos relatórios trazidos aos autos e bem ressaltado pelo Ministério Público Federal, tem-se que o mesmo atuou na suposta liberação criminosa do acusado Carlos Roberto Pereira, em sede de habeas corpus julgado pelo investigado Ronaldo Eurípedes no dia 22 de outubro de 2013′”, observou o ministro na decisão que abriu a Operação Toth.

“E acrescenta o Ministério Público Federal que existe fundada suspeita de que a liberação daquele acusado, ‘mesmo num cenário de quádruplo homicídio, foi condicionada ao pagamento de R$ 300 mil ao investigado Ronaldo Eurípedes’.”

O Ministério Público Federal e a PF apontaram à Justiça ‘sinais de enriquecimento ilícito do desembargador Ronaldo Eurípedes por força de atuação judicante, com investimentos em atividades rurais, gado bovino e/ou imóveis, bem como participação em ‘negociações’ de decisões judiciais desde o tempo em que atuava como advogado no Estado do Tocantins’.

A Operação Toth indicou ainda uma suposta ocultação de bens e valores.

“Existe, por parte do investigado, a movimentação de ‘altas somas em dinheiro, sempre sob a administração de seu funcionário de confiança Luso e em nome de sua esposa Inez, razão pela qual imprescindível e necessária é a busca e apreensão nos endereços das pessoas que estão diretamente vinculadas a fatos que circundam a venda de decisões judiciais, assim como a intimação para imediata oitiva’”, relatou o ministro Og Fernandes na decisão que deflagrou a Toth.

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