PF investiga ‘laranjas’ que custaram 20 vezes mais nas eleições de 2018 em Roraima

PF investiga ‘laranjas’ que custaram 20 vezes mais nas eleições de 2018 em Roraima

Operação Títeres deflagrada nesta quarta, 11, cumpre seis mandados de buscas em Boa Vista para rastrear candidaturas que obtiveram um índice de 'custo de votos' muito superior a média brasileira; uma candidata teria recebido R$ 105 mil e apenas nove votos

Pepita Ortega e Fausto Macedo

11 de dezembro de 2019 | 11h23

O prédio do TRE em Roraima. Foto: Google Maps

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta, 11, Operação Títeres, para investigar um esquema de candidaturas ‘laranjas’ montado por um grupo em Roraima para fraudar e desviar recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha durante as eleições 2018. Segundo a corporação, uma das candidatas investigadas teria recebido R$ 105 mil e obtido apenas nove votos.

Os agentes cumprem seis mandados de busca e apreensão na capital do Estado, Boa Vista. As ordens foram expedidas pela 1ª Zona Eleitoral de Roraima.

Segundo a PF, as investigações tiveram início após um as candidatas a deputadas federais e estaduais de um partido político, em Roraima, obterem um índice de ‘custo de votos’ vinte vezes superior à média brasileira.

O desvio de recursos públicos para campanhas eleitorais, usando principalmente candidaturas ‘laranjas’, já rendeu 221 inquéritos conduzidos pela Polícia Federal neste ano.

Em Minas e em Pernambuco, supostos esquemas de desvio de recursos por por meio de candidaturas femininas laranjas nas eleições 2018 levaram ao indiciamento do ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG) e o deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), presidente nacional da legenda.

Em Roraima, os investigadores da ‘Títeres’ identificaram que, apesar dos recursos recebidos, algumas candidatas obtiveram número ‘irrisório’ de votos, entre elas uma que teria recebido quase R$ 105 mil e obtido só nove votos.

A corporação suspeita que os recursos das candidaturas ‘laranjas’ tenham sido destinados a a candidatos que efetivamente disputariam as eleições ou utilizados para pagamentos de empresas de fachadas e serviços que não teriam sido executados.

A Polícia Federal indicou ainda que apesar das candidatas investigadas serem de um partido, a maior parte dos recursos destinados a elas seria proveniente de uma outra legenda. Ambos participavam de uma mesma coligação à época.

“A autorização e execução da transferência de recursos do Fundo de Financiamento Especial de Campanha dependeria da presidência estadual dos partidos, bem como deles também dependeriam a escolha de candidatos e aprovação de suas respectivas prestações de contas”, afirmou a PF.

A ‘Títeres’ apura os crimes de participação em associação criminosa, a falsidade ideológica eleitoral e apropriação de valores do financiamento eleitoral. As penas de tais delitos, comadas podem chegar a 14 anos, informou a PF.

O nome da operação, segundo a Polícia Federal, faz referência aos fantoches movidos por meio de cordas ou pelas mãos dos controladores.

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