PF investiga desvios em contratos de R$ 413 mi de rodovias de Minas

PF investiga desvios em contratos de R$ 413 mi de rodovias de Minas

Operação Rota BR 090 apura desvios em contratos firmados pelo Departamento Nacional de Transportes e Infraestrutura; quatro servidores foram afastados do cargo

Pedro Prata e Fausto Macedo

18 de março de 2020 | 10h55

A Polícia Federal, em parceria com a Procuradoria e a Controladoria, deflagra desde segunda, 16, a Operação Rota BR 090 para desarticular esquema de desvio de recursos públicos de contratos de manutenção de rodovias federais em Minas Gerais. Esta semana os agentes federais já foram às ruas em duas fases da operação, chamadas ‘Cabra Cega’ e ‘Zigzag’.

Investigações realizadas pela PF, em parceria com a CGU, apuraram indícios de fraude ao caráter competitivo de processos licitatórios, recebimento de vantagens indevidas, bem como superfaturamento de contratos em unidades do Dnit em Minas Gerais, inclusive na superintendência regional. O Dnit, desde 2014, celebrou contratos com as empresas envolvidas no total de R$ 413 milhões.

Carro apreendido durante a operação Zigzag. Foto: PF/Divulgação

O trabalho na ‘Zigzag’ desta quarta, 18, é de investigar como empresários e servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) direcionaram recursos para regiões do Estado de Minas onde o esquema de corrupção estava institucionalizado. Quatro servidores do Dnit foram afastados cautelarmente de seus cargos.

A fase ‘Zigzag’ consiste no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens de 10 pessoas físicas e jurídicas e o impedimento das empresas envolvidas de contratarem com órgãos públicos. Os mandados são cumpridos em Belo Horizonte, Prata, Teófilo Otoni, Cássia, Pará de Minas, Uberlândia, Vespasiano e Governador Valadares, em Minas, e em Brasília, no Distrito Federal.

Rodovia federal em Minas. Foto: Google Maps/Reprodução

‘Cabra Cega’

Na segunda, 16, a PF colocou a ‘Cabra Cega’ no rastro dos contratos de manutenção de rodovias federais mineiras. As investigações apontam que funcionários do Dnit teriam se omitido na fiscalização de contratos de obras de manutenção das rodovias federais em Minas Gerais para gerar supostos desvios em favor do chefe da unidade em Oliveira.

Agentes federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão nesta quarta, 18. Foto: PF/Divulgação

A operação contou com 40 policiais federais e 2 auditores da Controladoria-Geral da União. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária nos municípios de Belo Horizonte e Oliveira, em Minas Gerais, e em Brasília, no Distrito Federal.

Carro apreendido durante a operação Zigzag. Foto: PF/Divulgação

Os investigados poderão responder por corrupção ativa, corrupção passiva, peculato e organização criminosa, além das sanções previstas nas leis nº 8.666/93 (licitações públicas) e 12.846/13 (atos contra a administração pública). As penas cominadas pelas práticas delituosas podem chegar a 40 anos de prisão.

Agentes federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão nesta quarta, 18. Foto: PF/Divulgação

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