PF intima Charles, ex-assessor de Palocci

PF intima Charles, ex-assessor de Palocci

Charles Capella de Abreu é investigado por suposta propina de R$ 2 milhões para campanha de Dilma em 2010

Julia Affonso e Fausto Macedo

11 Novembro 2015 | 12h42

Foto de Charles Capella de Abreu, ex-assessor da Casa Civil e das campanhas presidenciais do PT em 2010 e 2014, mostrada pela PF para delator da Lava Jato / Reprodução

Foto de Charles Capella de Abreu, ex-assessor da Casa Civil e das campanhas presidenciais do PT em 2010 e 2014, mostrada pela PF para delator da Lava Jato / Reprodução

A Polícia Federal vai ouvir o ex-assessor especial da Casa Civil Charles Capella de Abreu nesta quinta-feira, 12. O lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, suspeito de ser um dos operadores de propinas do PMDB no esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014, afirmou à força-tarefa da Operação Lava Jato ter ouvido do doleiro Alberto Youssef e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto que Charles atuava como arrecadador financeiro das campanhas eleitorais da presidente Dilma Rousseff, em 2010. O pagamento envolveria um pedido do ex-ministro Antonio Palocci, que foi coordenador da campanha presidencial do PT naquele ano.

Em delação premiada, Baiano disse ter testemunhado, no cárcere, conversas de petistas sobre transferências de valores para a campanha. Preso desde novembro de 2014 pela Lava Jato, em Curitiba, Fernando Baiano ficou até março na Custódia da Polícia Federal e depois no Complexo Médico-Penal, em Pinhais – região metropolitana de Curitiba. Segundo o lobista, na carceragem o doleiro Alberto Youssef confirmou ter dado dinheiro para a campanha da petista.

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“Alberto Youssef disse que fez uma entrega de R$ 2 milhões, em valores em espécie, a pedido de Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobrás), em um hotel em São Paulo, a uma pessoa desconhecida em apartamento indicado por Paulo Roberto”, afirmou Fernando Baiano, em seu termo de delação número 13, no dia 15 de setembro de 2015.

“De acordo com Alberto Youssef, essa entrega possivelmente se refere a essa doação de campanha”, disse o delator. O doleiro teria comentado com ele que “a pessoa para qual entregou os valores vestia um terno e que aparentava ser um segurança ou um assessor”.

Youssef – peça central da Lava Jato – detalhou em novo depoimento prestado à Polícia Federal no dia 29 de outubro o pagamento que fez em dinheiro vivo no Hotel Blue Tree, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, a um emissário que ele não sabe dizer quem era. A suspeita dos investigadores recai sobre Charles Capella de Abreu.

A PF mostrou uma foto Charles Capella de Abreu para Youssef para saber se poderia ser ele o emissário que recebeu o dinheiro da propina da Petrobrás. “Reconhece como sendo possível que a foto seja de tal pessoa referida acima, para a qual entregou os R$ 2 milhões em notas cuja maioria (cerca de 85%) eram em cédulas de R$ 100,00 por ordem de Paulo Roberto Costa”, registra o depoimento. Em termos de probabilidade, Youssef disse acreditar que tenha “70% a 80% de certeza” se tratar da mesma pessoa.

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