PF interroga Vaccarezza

PF interroga Vaccarezza

Ex-líder dos governos Lula e Dilma, na Câmara, foi preso sexta-feira, 18, na Operação Abate, 44.º desdobramento da Lava Jato, no Paraná, e será ouvido na tarde desta segunda-feira, 21

Julia Affonso, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

21 Agosto 2017 | 13h57

Cândido Vaccarezza. Foto: Cassiano Rosário/Futura Press

A Polícia Federal deverá interrogar o ex-deputado federal Cândido Vaccarezza nesta segunda-feira, 21, a partir de 14h. O ex-líder dos governos Lula e Dilma, na Câmara, foi preso sexta-feira, 18, na Operação Abate 44.ª fase da Lava Jato, sob suspeita de receber US$ 500 mil em propinas para abrir as portas na Petrobrás para empresas estrangeiras.

A PF quer saber de Vaccarezza a origem de R$ 122 mil em dinheiro vivo encontrados em sua casa, no bairro da Mooca, em São Paulo, durante buscas da Operação Abate.

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‘Parceiro’

A Abate investiga contratação do fornecimento de asfalto pela empresa estrangeira Sargeant Marine à estatal petrolífera, mediante o pagamento de propinas a funcionários públicos e agentes políticos. Um grupo apadrinhado por Vaccarezza teria usado a influência do ex-deputado para obter contratos da estatal com a empresa estrangeira. Recursos teriam sido direcionados para pagamentos indevidos a executivos da estatal e agentes públicos e políticos, além do próprio ex-parlamentar.

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Esta investigação teve início a partir de relato da delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em acordo de colaboração celebrado com o Ministério Público Federal.

Foram colhidas provas adicionais a partir de buscas e apreensões da 1ª e da 16ª fases da Lava Jato, além de resultados de quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático e de pedidos de cooperação internacional.

“As provas colhidas apontam que Cândido Vaccarezza, líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados entre janeiro de 2010 e março de 2012, utilizou a influência decorrente do cargo em favor da contratação da Sargeant Marine pela Petrobras, o que culminou na celebração de doze contratos, entre 2010 e 2013, no valor de aproximadamente US$ 180 milhões”, afirma o Ministério Público Federal.

“As evidências indicam ainda que sua atuação ocorreu no contexto do esquema político-partidário que drenou a Petrobrás, agindo em nome do Partido dos Trabalhadores. Na divisão de valores das propinas, há documentos indicando seu direcionamento tanto para a “casa” (funcionários da Petrobras) como para o “PT”.

Segundo a Procuradoria da República, ‘as provas indicam ainda que também foram beneficiados pelo pagamento de propina o diretor de Abastecimento da petrolífera, Paulo Roberto Costa, e outros dois gerentes da Petrobrás com prisão temporária decretada nesta fase da operação’.

“Os valores então devidos ao partido, totalizando propinas de pelo menos cerca de US$ 500 mil, foram destinados em grande parte a Vaccarezza, sendo possível que a investigação venha a revelar outros destinatários das vantagens ilícitas. A Justiça Federal determinou a prisão temporária do ex-deputado.”

Foi também decretada a prisão temporária do representante da Sargeant Marine no Brasil. São investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Também foi apurado o envolvimento de Vaccarezza em ‘esquema criminoso que beneficiaria a empresa Quimbra na comercialização de tolueno, mediante possível recebimento de vantagens indevidas e fornecimento de informações confidenciais da petrolífera para o grupo empresarial’.