PF indicia por quadrilha e lavagem de dinheiro acusado de operar caixa 2 de Mercadante e Aloysio Nunes

Lava Jato indica que contador Roberto Trombeta e seus sócios 'mantinham vínculos com o fim de produzir documentos falsos para dissimular a origem, movimentação e localização de recursos decorrentes de crimes'

Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Julia Affonso

27 Novembro 2015 | 14h34

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A Polícia Federal indiciou o contador Roberto Trombeta e seus sócios Rodrigo Morales e Mariana de Paula por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro em conjunto com o doleiro Alberto Youssef, na Lava Jato. Trombeta foi acusado pelo dono da UTC e delator Ricardo Pessoa de lavar dinheiro da empreiteira para o caixa dois das campanhas de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo, e do tucano Aloysio Nunes, ao Senado, ambas em 2010.

Trombeta e seu sócio firmaram um acordo de delação premiada e prometeram contar o que sabem aos investigadores em troca de benefícios como redução da pena. De acordo com a Polícia Federal, o contador , seus sócios e Youssef “mantinham vínculos com o fim de produzir documentos falsos para dissimular a origem, movimentação e localização de recursos decorrentes de crimes tais como evasão de divisas, corrupção ativa e passiva entre outros antecedentes.” O indiciamento ocorreu em uma investigação contra o contador na Justiça Federal no Paraná.

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A citação ao contador pelo empreiteiro Ricardo Pessoa levou à abertura de inquéritos para investigar o atual ministro da Educação Aloizio Mercadante e o senador Aloysio Nunes – candidato a vice na chapa de Aécio Neves à Presidência no ano passado – no Supremo Tribunal Federal. Como o caso dos dois não envolve a Petrobrás, a relatoria ficou com o ministro Celso de Mello.

A Polícia Federal chegou ao nome de Trombeta e de seus sócios a partir da identificação dos contatos telefônicos de Alberto Youssef, principal doleiro investigado pela operação e um dos primeiros delatores que revelou o esquema de corrupção e propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014.

O senador e o ministro negam veementemente envolvimento em irregularidades. Mercadante confirma a existência de um encontro com o Ricardo Pessoa em 2010, por solicitação do dono da UTC, mas afirma que não houve discussão de valores para campanha, “tampouco solicitação de recursos de caixa dois por parte do coordenador de campanha”.

Em junho, quando foi acusado por Pessoa, Aloysio Nunes declarou que a doação feita pela UTC à sua campanha em 2010 “foi efetiva e legalmente arrecadada”, conforme “consta da prestação de contas encaminhada à Justiça Eleitoral”.

“Em 2010, não havia operação Lava Jato e eu, como a imensa maioria dos brasileiros, não tinha conhecimento das relações promíscuas entre a UTC e a Petrobrás”, declarou Aloysio.

Quando foi instaurado o inquérito, Mercadante informou que só iria se manifestar após ser notificado sobre o caso.

A defesa de Trombeta e seus sócios afirmou que não iria comentar o indiciamento. A defesa de Youssef também não quis comentar o caso

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