PF indicia operador do PMDB por corrupção e lavagem

Relatório final aponta elo de Fernando Baiano com o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró

Redação

09 de dezembro de 2014 | 20h44

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Chapola

A Polícia Federal indicou o operador do PMDB Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, por organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. “Fernando Soares operou ativamente no esquema de recebimento de valores de propina, e posterior lavagem, para propiciar às empresas facilidades em sua contratação na Diretoria Internacional”, sustenta a Lava Jato.

Preso desde o dia 21 de novembro, Fernando Baiano é o principal personagem, segundo a força-tarefa, para chegar ao esquema de corrupção e propina na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Sua ligação com o PMDB e o ex-diretor Nestor Cerveró foi apontada no documento que servirá para elaboração de denuncia criminal no caso.

“Elementos colhidos até aqui apontam para a existência de um outro ‘operador’, Fernando Antônio Falcão Soares, para partido político diverso – PMDB – e controlando esquema de corrupção e lavagem e outra diretoria”, informa o relatório da PF.

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Segundo a PF, Fernando Baiano foi o operador da Diretoria de Internacional “enquanto foi de titularidade de Nestor Cerveró.” De acordo com o relatório, a forma de operação de Baiano seria a mesma adotada pelo doleiro Alberto Youssef e pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, em nome do PP, na Diretoria de Abastecimento. Pelo esquema, eles arrecadavam de 1% a 3% dos contratos.

“Porcentagem sobre contratos firmados com a estatal seriam divididos pelas empreiteiras interessadas, e tais valores, em uma verdadeira lavagem transnacional e sofisticada, cruzavam contas de empresas, pessoas, países, até chegarem às mãos daqueles que foram corrompidos para permitir que o esquema de facilidades continuasse.”

Apontado a existência de “meros courries” e “grandes pagadores de propinas” para sustentar por tempo prolongado o “esquema criminoso”, tais operadores tinham como objetivo “a obtenção de facilidades nos contratos com a Petrobrás”. Para isso, os grupos acusados na Lava Jato teriam usado práticas como “abertura de contas bancárias em nome” de laranjas, “fluxo mascarado do dinheiro, celebração de contratos ‘de papel’ para esquentar a saída de dinheiro na contabilidade dos corruptores, uso de doleiros para propiciar a disponibilização de valores fora do País”.

Defesa

Os criminalistas Mário de Oliveira Filho e Edson Silvestrin, que defendem o operador do PMDB, não foram localizados. Na ocasião em que Fernando Baiano se entregou à Polícia Federal, em novembro, os advogados assinalaram que ele não teve participação no esquema de propinas da Petrobrás. Segundo Oliveira Filho, o investigado é representante de duas empresas espanholas no Brasil.