PF indicia Joesley, Mantega, Palocci e Coutinho por favorecimento do BNDES à JBS

PF indicia Joesley, Mantega, Palocci e Coutinho por favorecimento do BNDES à JBS

Inquérito da Operação Bullish, da Polícia Federal, aponta prejuízo de R$ 1 bilhão em operações financeiras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; informações foram divulgadas pela repórter Camila Bomfim, da TV Globo, e confirmadas pela reportagem do Estado

Redação

23 de agosto de 2018 | 19h31

Reprodução de documento da PF

A Polícia Federal indiciou os ex-ministros da Fazenda dos governos do PT Guido Mantega e Antonio Palocci, o empresário Joesley Batista e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho no inquérito da Operação Bullish – investigação sobre suposto rombo de R$ 1 bilhão em operações financeiras do banco para favorecer a JBS, de Joesley.

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As informações foram divulgadas pela repórter Camila Bomfim, da TV Globo, e confirmadas pelo Estadão.

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São sete indiciados ao todo no inquérito Bullish. Além dos ex-ministros, do empresário e do ex-presidente do BNDES, a PF enquadrou Caio Marcelo de Medeiros Melo, Victor Garcia Sandri e Gonçalo Ivens Ferraz da Cunha de Sá.

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Joesley Batista em Brasília; empresário prestou esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República nesta quinta, 7. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

A PF concluiu que o BNDES, na gestão Luciano Coutinho (2007/2016) favoreceu a JBS de Joesley, por meio de operações financeiras ilícitas.

A Mantega, especificamente, a PF atribui crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, quadrilha e corrupção passiva.

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Os ex-ministros Palocci e Mantega. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Palocci, a PF imputa corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Joesley foi indiciado por crime contra o sistema financeiro, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Luciano Coutinho. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Luciano Coutinho é acusado de crime contra o sistema financeiro, quadrilha, lavagem de dinheiro e patrocínio de interesses privados perante a administração pública, valendo-se da qualidade de funcionário.

Sobre Mantega, a PF cravou. “O papel do ex-ministro Guido Mantega foi o de um verdadeiro agente duplo, pois, ao mesmo tempo em que era o ‘gerente de projeto’ da internacionalização da empresa Friboi – JBS S/A., desde a concepção inicial do projeto, era também o responsável pela edição de atos e políticas governamentais que garantiram a execução desse projeto.”

Em outro trecho do relatório da Operação Bullish, a PF ainda diz sobre Mantega. “Por, na condição de ministro da Fazenda, ter favorecido em decisões macroeconômicaas do Governo a empresa Friboi- JBS S/A ao mesmo tempo em que atuava como uma espécie de lobista do empresário Joesley Mendonça Batista no Governo Federal (agora sem a atuação de intermediários), promovendo reuniões junto ao ex-presidente do BNDES, Luciano Galvão Coutinho, e gestores de Fundos de Investimento, acelerando tramitações, destravando eventuais embargos que surgissem nos projetos de investimento, conforme narrativa de Joesley Mendonça Batista, corroborada pelas provas colhidas nos autos e também na Operação Sépsis, compartilhadas com essa investigação;”

A PF destaca o que a levou a indiciar Palocci. “Em razão de ter recebido da JBS S/A o valor de quase R$ 2,5 milhões, enquanto exercia o mandato de deputado federal da base do Governo, a título de ‘consultoria’, em contratos firmados com a Projeto Consultoria, representada por sua secretária, Rita de Cássia dos Santos.”

Sobre Luciano Coutinho, diz o relatório. “Desse modo, e por todo o conjunto de provas materiais e testemunhais, conclui-se que o ex-presidente Luciano Galvão Coutinho aceitou e assumiu a tarefa de encabeçar a instituição com o intuito de garantir a continuidade de um ciclo de retroalimentação de propinas, inaugurado na gestão de Guido Mantega à frente do BNDES. Reitere-se que as doações apenas foram possíveis com investimentos muito maiores do que o necessário para atingimento das finalidades de internacionalização da JBS S/A.”

COM A PALAVRA, LUCIANO COUTINHO

“O ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, manifestou total surpresa em relação à decisão da Polícia Federal e reitera que todos seus atos e procedimentos frente à administração pública sempre foram pautados pelo rigor de conduta, integridade, impessoalidade e respeito à lei. Ele não teve acesso ao relatório da PF e aguarda o desenrolar das investigações com tranquilidade”.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GUIDO MANTEGA

A reportagem fez contato com a defesa do ex-ministro Guido Mantega. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANTONIO PALOCCI

A reportagem está tentando localizar a defesa do ex-ministro Antonio Palocci. Espaço aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANDRÉ CALLEGARI, DEFENSOR DE JOESLEY

“A investigação contou com a colaboração de Joesley Batista para a elucidação dos fatos. Além do conteúdo trazido no acordo firmado com o Ministério Público, o colaborador apresentou neste inquérito detalhes de todos os fatos ilícitos dos quais tinha conhecimento. Mais de 10 horas de depoimentos foram prestadas por Joesley Batista à PF e todas as provas requisitadas foram apresentadas, cumprindo integralmente sua parte no acordo de colaboração. Espera-se que, passada a fase policial, o Ministério Público igualmente cumpra com as obrigações assumidas”.

COM A PALAVRA, BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tomou conhecimento pela imprensa dos recentes desdobramentos da Operação Bullish. O banco ainda não teve acesso ao relatório da Polícia Federal. A instituição sempre colaborou com as autoridades e continuará prestando todas as informações solicitadas nas demais etapas do processo, que agora será avaliado pelo Ministério Público Federal.

O BNDES instaurou uma Comissão de Apuração Interna sobre o caso, que não identificou nenhum fato relevante, conforme consta de suas demonstrações financeiras publicadas em 30 de junho deste ano. O Banco também contratou uma auditoria internacional independente, que está sendo conduzida pelos escritórios Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, dos EUA, e o brasileiro Levy & Salomão, com largas experiências em temas financeiros complexos, para aprofundar as investigações internas e dar maior segurança às suas informações financeiras, auditadas pela KPMG e Grant Thornton.

O Banco acompanha o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público, do Poder Judiciário e das instituições de controle do Estado brasileiro, na crença de que, ao final, os fatos serão adequadamente esclarecidos à sociedade. Por fim, o BNDES reitera a confiança na impessoalidade de seus processos colegiados e na integridade de seu corpo técnico.

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