PF indicia Gleisi e Paulo Bernardo por corrupção

Campanha da senadora do PT teria recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção na Petrobrás, investigado na Lava Jato; indiciamento ainda alcança um empresário de Curitiba;

Andreza Matais e Julia Affonso

31 de março de 2016 | 17h19

Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann

Atualizada às 17h50

A Polícia Federal indiciou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações do Governo Lula), por corrupção passiva, na Operação Lava Jato ao concluir que o casal recebeu R$ 1 milhão de propina oriundo de contratos oriundos da Petrobrás. O valor foi utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado em 2010. Também foi indiciado o empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba.

Segundo a PF, o ex-ministro Paulo Bernardo teria solicitado a quantia ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. A operação foi feita pelo doleiro Alberto. Para a PF, Paulo Bernardo tinha conhecimento de que os valores eram ilícitos, caso contrário não os teria solicitado a Paulo Roberto Costa.

Paulo Bernardo. Foto: André Dusek/Estadão

Paulo Bernardo. Foto: André Dusek/Estadão

A PF ainda aponta que Ernesto Kugler Rodrigues  recebeu o valor em dinheiro vivo, dividido em quatro parcelas, a pedido da senadora e do marido.

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Durante as investigações, a PF encontrou na agenda de Paulo Roberto a inscrição a ‘1,0 PB’. Ele confirmou que se tratava do ex-ministro. Os valores, segundo os federais, foram levados de São Paulo a Curitiba por Antonio Carlos Fioravante Pieruccini, que documentou todo o local da entrega para os policiais. A PF identificou ainda registros telefônicos que confirmariam a propina para a campanha da petista que foi ministra da Casa Civil da presidente Dilma Rousseff no primeiro mandato.

No inquérito, Paulo Bernardo negou que tivesse solicitado os valores para a campanha de Gleisi. O ex-ministro alegou na época que havia uma orientação do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os ministros não se envolvessem na arrecadação das campanhas. Mas a versão foi desmontada pela PF com base em outra delação premiada de alvo da Lava Jato. O dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, contou que Paulo Bernardo lhe pediu financiamento para a campanha de Gleisi em 2010, o que demonstrou que ele atuou para ajudar a eleger a mulher. Segundo o empreiteiro, nesse caso, as doações foram feitas ao caixa oficial da campanha e também para ao Diretório Nacional do PT.

COM A PALAVRA, A SENADORA GLEISI HOFFMANN E O EX-MINISTRO PAULO BERNARDO

Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor pela senadora Gleisi Hoffmann ou pelo ex-ministro Paulo Bernardo.
São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores, as quais tiram toda a credibilidade das supostas delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que cinco versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles não existiram.

Assessoria de Imprensa Senadora Gleisi Hoffmann

 

 

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