PF indicia ex-líder de Lula e Dilma na Câmara por propinas na Lava Jato

Cândido Vaccarezza e os deputados Nelson Meurer (PP-PR) e Vander Loubet (PT-MS) são acusados de receber do esquema de corrupção na Petrobrás

Redação

03 de setembro de 2015 | 17h46

Atualizada às 19h26

Por Fausto Macedo, Andreza Matais, Julia Affonso e Ricardo Brandt

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Polícia Federal indiciou o ex-líder do PT e do governo na Câmara dos Deputados durante o governo Lula e o primeiro mandato de Dilma Cândido Vaccarezza e os deputados Vander Loubet (PT-MS) e Nelson Meurer (PP-PR) na Operação Lava Jato, por recebimento de propina oriunda de contratos da Petrobrás. O inquérito aponta indícios de corrupção passiva dos três políticos. O mandato de Vaccarezza terminou no ano passado e atualmente ele não possui mais foro privilegiado.

Segundo o documento, Cândido Vaccarezza teria recebido em seu apartamento, em São Paulo, valores do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, a mando do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, para a sua campanha à Câmara de 2010.

O inquérito da PF concluiu, com base em provas documentais e testemunhais, que houve corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo deputado Vander Loubet. Segundo a PF, em razão do cargo de deputado federal, o parlamentar teria recebido R$ 1 milhão de Youssef a mando de Pedro Paulo Leoni Ramos, secretário de Assuntos Estratégicos no governo de Fernando Collor (1990-1992).

Segundo a PF, uma parte dos valores teria sido entregue em Campo Grande (MS) e outra parte teria sido depositada em contas de terceiras pessoas, que teriam dado suporte a Vander Loubet em sua campanha eleitoral de 2010.

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O inquérito aponta ainda que Nelson Meurer recebeu 2 parcelas de R$ 250 mil, uma em 26 de agosto de 2010 e outra 10 de setembro de 2010, como propinas para campanha eleitoral de deputado federal no mesmo ano. Os valores teriam sido travestidas de doações eleitorais feitos pela empreiteira Queiroz Galvão, ordenadas por Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide de Moraes Filho – executivos da construtora, indiciados por corrupção ativa – a pedido de Paulo Roberto Costa, também indiciado por corrupção ativa. Os repasses para Meurer ocorreram, segundo a PF, por orientação do doleiro Alberto Youssef.

De acordo com a Polícia Federal, Nelson Meurer entre meados de 2008 e abril de 2013 – enquanto Paulo Roberto Costa era diretor da Petrobrás –  mais precisamente nos dias 26 de maio 2011, 1 de setembro de 2011 e 7 de maio de 2012 recebeu propina ‘oriunda de contratos da diretoria de Abastecimento mediante comparecimento pessoal no escritório de Youssef em São Paulo’.

Meurer teria recebido ainda, em Curitiba, em 11 de marco 2010, 25 de março de 2010, 23 de dezembro de 2010, 21 de  janeiro de 2011, 30 de março de 2011, 4 de maio de 2011, 17 de maio de 2011, 8 de junho de 2012 e 30 de junho de 2013, mediante entregas do carregador de malas Rafael Ângulo, que trabalhava com Youssef, em valores que giravam R$ 150 mil, ‘perfazendo 11 momentos de corrupção a totalizar R$ 1,65 milhão’.

Segundo laudo da PF, Meurer recebeu R$ 42 mil em 4 de janeiro 2009 e 10 mil em 27 de janeiro 2010, em propinas por ordem de Paulo Roberto Costa, de empreiteiras que realizaram pagamento por meio de Youssef, auxiliado pelo doleiro Carlos Habib Chater.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE VACCAREZZA:

O advogado Marco Aurélio Toscano, que defende o ex-deputado, afirmou que ainda não teve acesso à íntegra do relatório da Polícia Federal para “entender a razão pela qual o delegado manifestou-se pelo indiciamento”. Toscano disse que vai se pronunciar quando tiver acesso aos autos.

 

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