PF indica 10 para periciar sistemas de propina da Odebrecht

PF indica 10 para periciar sistemas de propina da Odebrecht

Material está ‘sob a guarda’ da Procuradoria-Geral da República

Julia Affonso e Ricardo Brandt

02 de outubro de 2017 | 13h32

Sede da Odebrecht em São Paulo. Foto: JF Diorio/Estadão

O delegado Igor Romário de Paula, da Polícia Federal, indicou ao juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira, 2, dez peritos para vistoriar os sistemas eletrônicos Drousys e My Web Day, usados pelo Grupo Odebrecht para lançamentos na contabilidade informal de pagamento de propina. O material está ‘sob a guarda’ da Procuradoria-Geral da República.

“Trata-se de equipe formada por peritos de contabilidade e informática que permitirá não apenas a análise completa do sistema, bem como a extração adequada dos dados. Os exames serão iniciados tão logo o material seja disponibilizado pelo Ministério Público Federal”, informou o delegado.

A perícia foi uma solicitação da defesa do ex-presidente Lula, em ação penal sobre supostas propinas da Odebrecht, incluindo um terreno que abrigaria a sede do Instituto Lula – na Rua Haberbeck Brandão, 178 – e um apartamento em São Bernardo do Campo (SP), anexo ao imóvel onde mora o petista. Lula nega as acusações.

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A ordem de Moro para que a PF pericie os sistemas foi tomada no dia 13 de setembro. Na quinta-feira, 28, Moro solicitou à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, acesso ao material. “A perícia servirá para extrair do sistema apenas eventuais lançamentos e documentos relacionados com o objeto específico desta ação penal, sem afetação de outras investigações ou ações penais ou material relativo a autoridades com foro por prerrogativa de função”, informou o juiz da Lava Jato.

“Como, em princípio, parte do material estaria, segundo o Ministério Público Federal local, sob a guarda da Procuradoria Geral da República, solicito, respeitosamente, à V.Ex.ª, que seja disponibilizado, se necessário e da forma possível, aos peritos da Polícia Federal e assistentes técnicos o acesso a ele, para o fim de realização da perícia.”

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Ao ordenar a perícia, o juiz da Lava Jato formulou quatro quesitos judiciais. Na lista estão: descrição geral do que tratam os sistemas Drousys e MyWebDay utilizados pelo Grupo Odebrecht e disponibilizados ao Ministério Público Federal, inclusive quanto ao seu funcionamento; se é possível garantir a autenticidade dos arquivos eletrônicos ou sistemas disponibilizados ao Ministério Público Federal, com a data de sua produção e informações sobre eventuais alterações posteriores solicita-se que seja verificado se o material contém documentos ou lançamentos que possam estar relacionados com o objeto da presente ação penal, a aludida aquisição do prédio na Rua Haberbeck Brandão, 178, e caso positivo para que sejam identificados e apresentados em laudo; e que seja verificado se os materiais já juntados aos autos pelo Ministério Público Federal e pela defesa de Marcelo Bahia Odebrecht encontram-se no sistema e se é possível relacioná-los à aludida aquisição do prédio na Rua Haberbeck Brandão, 178.

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