PF identifica depósitos de US$ 4,8 mi da OAS nas contas de Paulo Roberto Costa

Documentos bancários foram apreendidos com operador do doleiro Alberto Youssef e juntados aos autos da Lava Jato

Redação

08 de outubro de 2014 | 17h19

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

A Polícia Federal e a Procuradoria da República identificaram depósitos no valor global de US$ 4,8 milhões da OAS African Investments Limited na conta da offshore Santa Thereza Services Ltd, controlada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, alvo maior da Operação Lava Jato.

Os depósitos – divididos em três créditos no valor de US$ 1,6 milhão cada – foram realizados nos dias 7 de maio, 11 de junho e 17 de julho de 2013 na conta da Santa Thereza, na Suíça.

A OAS African Investments faz parte da OAS, gigante da construção.

O Ministério Público Federal e a PF localizaram documentos sobre as transferências durante buscas no escritório e na residência do executivo João Procópio Junqueira de Almeida Prado, apontado como operador do doleiro Alberto Youssef – mentor do esquema de lavagem de dinheiro, segundo a Lava Jato.

As buscas foram realizadas em julho, por ordem judicial. A Santa Thereza é uma das onze offshores controladas por Paulo Roberto Costa, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

No acordo, Costa abriu mão de todos os ativos depositados em contas das offshores por ele administradas, inclusive a Santa Thereza Services Ltd.

Costa já autorizou a repatriação de US$ 25,8 milhões depositados na Suíça e em Cayman. “Chama a atenção no extrato bancário da conta mantida pela Santa Thereza Services Ltd os valores milionários provenientes, sobretudo, da OAS African Investments Limited”, assinala o Ministério Público Federal.

Com João Procópio a PF apreendeu extrato da conta da offshore Santa Thereza no período de 8 de outubro de 2012 a 4 de março de 2013, com diversas operações em valores iguais de US$ 1 milhão cada. Em 2011, segundo a Procuradoria da República, a conta da Santa Thereza na Suíça recebeu “onze operações sequenciais” de créditos originadas da Sanko Sider. A conta da Santa Thereza recebeu US$ 289,74 mil euros da Sanko Sider entre 24 de janeiro de 2013 e 7 de fevereiro de 2014. “Esse valor é relacionado aos crimes de corrupção, peculato, contra o sistema financeiro e tributário”, afirma a Procuradoria da República.

A PF e o Ministério Público Federal apuraram que dentro da conta da offshore Santa Thereza há quatro subcontas denominadas Fianca, CC, Premier e Sanko “todas controladas pela organização criminosa de Youssef e utilizadas para práticas delitivas”, segundo a Procuradoria.

Segundo a Procuradoria, a OAS “está diretamente envolvida com os desvios de valores e crimes contra a administração”.

No acordo de delação, Paulo Roberto Costa reconheceu que todos os valores depositados em contas das offshores, inclusive da Santa Thereza, são “integralmente produto de atividade criminosa”. Ele se comprometeu a “prontamente praticar qualquer ato necessário à repatriação desses valores em benefício do país”.

Procurada, a OAS ainda não retornou os contatos da reportagem.

COM A PALAVRA, O GRUPO SANKO SIDER

Em nota oficial, o Grupo Sanko Sider reagiu com veemência à informação sobre transações financeiras de suas empresas no exterior.

Leia a integra da nota do Grupo Sanko

“Chega de invenções. Não há, e o comprovaremos no foro adequado, a Justiça, nenhum centavo de remessas do Grupo Sanko ao Exterior que não esteja totalmente documentado. Desde junho, investigadores anônimos buscam associar nossas empresas a contas imaginárias no Exterior, com as quais não temos qualquer relação. Mentira não vira verdade pela vontade de fontes anônimas. Não são. Mais uma vez, há um grave erro de interpretação dos documentos sistemática, seletiva e ilegalmente vazados à imprensa. Já detectamos erros aviltantes e ridículos nesses vazamentos, que serão desmoralizados publicamente na Justiça, por nossa defesa.

Assim, esclarecemos novamente:

– Nenhuma empresa do Grupo Sanko tem ou teve, em qualquer época, conta no Exterior. Somos importadores, que pagam seus fornecedores nos bancos por eles indicados, das mais variadas bandeiras, em todo o mundo; todos esses pagamentos são corretos, tributados, registrados, acompanhados, autorizados e aprovados pelas autoridades e instituições competentes, após completa análise. Não há nenhum centavo dessas remessas que não esteja totalmente documentado.

– Todas as remessas feitas ao Exterior são única e exclusivamente destinadas ao pagamento de fornecedores. Não há nenhum pagamento em aberto. Todas as remessas geraram a entrada dos produtos pagos no país. O câmbio é sempre fechado via Banco Central do Brasil. Todas as operações são realizadas por intermédio de bancos comerciais brasileiros, após a devida anuência, liberação e homologação do Banco Central, com conhecimento da Receita Federal. Compramos os tubos, flanges e conexões, fazemos os pagamentos, recebemos e entregamos aos clientes (sempre privados) os tubos, flanges e conexões. As remessas ocorrem da seguinte forma:

1 – Todas as operações com Swift bancário (especificando o destinatário);
2 – Todas as operações com contrato de câmbio (que comprova a origem lícita dos valores);
3 – Todas as operações têm as respectivas Comercial Invoice, Proforma Invoice, BLs Bill of Lading;
4 – Todos esses documentos são rechecados na Receita Federal do Brasil, têm registro da DI no Siscomex e Emissão da CI na Alfândega.

Confiamos na Justiça e em averiguações sérias que comprovarão nossa lisura, o que continuamente vimos repetindo desde o início.

GRUPO SANKO
8 de outubro de 2014”

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