PF fecha o cerco contra advogado em apuração sobre vazamento de delação

PF fecha o cerco contra advogado em apuração sobre vazamento de delação

Defensor de operador de propinas do PMDB Fernando Baiano é o principal suspeito de ter entregue termos sigilosos do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró que estava com líder do PT no Senado, preso por tentar obstruir a Lava Jato

JULIA AFFONSO, RICARDO BRANDT E FAUSTO MACEDO

04 de dezembro de 2015 | 14h45

Advogado que atuou para ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, à esq., e o lobista Fernando Baiano é suspeito de vazamento . Fotos: Estadão e AGB

Advogado que atuou para ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, à esq., e o lobista Fernando Baiano é suspeito de vazamento . Fotos: Estadão e AGB

O inquérito da Polícia Federal aberto para investigar quem vazou para o líder do governo no Senado, Decídio do Amaral (PT-MS) e para o banqueiro André Esteves cópia da delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró fecha o cerco em torno do advogado Sérgio Riera. Investigadores encontraram elementos de que o criminalista teria recebido da advogada Alessi Brandão, que defende Cerveró, cópia do termo sigiloso.

Riera chegou a atuar como defesa de Cerveró e foi o responsável pelo acordo de delação do operador de propinas ligado ao PMDB Fernando Soares, o Fernando Baiano.

Um inquérito foi aberto pela PF, em Curitiba, na semana passada, para apurar o suposto vazamento do documento sigiloso. Alessi é a defensora da família Cerveró  e ajudou o filho a entregar para o Ministério Público a gravação que levou à prisão o banqueiro e o senador. Os dois advogados, Riera e Alessi, foram citados como supostas fontes do vazamento na conversa de mais de uma hora e meia, gravada pelo filho de Cerveró, no dia 4 de novembro, em um hotel de luxo em Brasília.

Na escuta ambiental feita pelo filho de Cerveró são citados outros dois nomes como suspeitos de serem fonte de vazamento, o do policial federal Newton Ishii, responsável pela Custódia da PF em Curitiba, e o doleiro Alberto Youssef, que está preso desde 2014 no local.

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A PF analisou os dados e chegou a indícios que levam a suspeitar que o advogado, por meio da defesa da própria família de Cerveró, possa ter fornecido as cópias da delação. Um e-mail enviado por Bernardo Cerveró para a advogada Alessi Brandão foi entregue à PF. Nele, o teor afasta a responsabilidade do agente federal no caso.

Escuta. “O que foi vazado a gente acha que pode ter sido vazado ali de dentro, Youssef na cela com ele, uma coisa assim”, diz Bernardo, em um dos trechos da reunião, diante dos questionamentos de Delcídio e do advogado sobre notícias da delação de Cerveró veiculadas na imprensa.

“O que eu tenho é o original porque a Alessi me passou e passou pra vocês”, complementa o advogado Edson Ribeiro, que defendia Cerveró desde o início da Lava Jato e foi preso nesta sexta-feira, 27. Alessi Brandão é outra advogada do ex-diretor, que participou do acordo de delação com a Procuradoria Geral da República.

Na gravação entregue por Bernardo à PGR, o advogado Edson Ribeiro e o filho de Cerveró citam nomes de possíveis fontes de vazamento de delação que estaria em poder de Esteves e Delcídio.

“Só pode ter saído do escritório da Alessi, Polícia Federal ou Sérgio Riera. Saber da Alessi se ela passou pro Sérgio alguma coisa com (algo) atrás escrito”, afirmou Ribeiro, em outro momento da conversa.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS
O criminalista Sérgio Riera não foi localizado nesta sexta-feira para comentar o caso. Na semana passada, ele negou qualquer irregularidade e afirmou que teve apenas contato profissional com o ex-diretor Nestor Cerveró.

A criminalista Alessi Brandão afirmou que não pode comentar o caso.

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