PF fecha balanço da Operação Enterprise com R$ 2 milhões em dinheiro vivo confiscados do narcotráfico e 40 prisões em quatro países

PF fecha balanço da Operação Enterprise com R$ 2 milhões em dinheiro vivo confiscados do narcotráfico e 40 prisões em quatro países

Maior ofensiva do ano da Polícia Federal contra a lavagem de dinheiro do comércio internacional de drogas pegou fortuna em reais, dólares, euros e dirhams (moeda dos Emirados Árabes); Justiça autorizou ainda o bloqueio de R$ 400 milhões em bens e valores dos investigados

Rayssa Motta/SÃO PAULO e Talita Laurino/CURITIBA

24 de novembro de 2020 | 17h20

A Polícia Federal divulgou na tarde desta terça-feira, 24, o balanço da Operação Enterprise, deflagrada ontem contra a lavagem de dinheiro por uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína.

A contagem, que normalmente é finalizada horas após o trabalho ostensivo dos policiais federais, só foi concluída nesta terça em razão da proporção da operação e do trabalho de cooperação internacional que implicou na troca de informações com órgãos de segurança de outros países.

Classificada pela Polícia Federal como uma das maiores ações do ano, a ‘Enterprise’ obteve judicialmente o bloqueio de R$ 400 milhões em bens e imóveis dos investigados, incluindo carros de luxo, jóias, aeronaves e uma casa na Espanha anunciada para venda por 2 milhões de euros.

Valores em espécie apreendidos na Operação Enterprise somam mais de R$ 2 milhões. Foto: Reprodução/Polícia Federal

Em espécie, durante o cumprimento dos 149 mandados de busca expedidos pela 14ª Vara Federal de Curitiba, os agentes apreenderam R$ 1,1 milhão, 169 mil dólares, 9 mil euros e 1,1 mil dirhams (moeda dos Emirados Árabes Unidos). Além do dinheiro, foram confiscadas 16 armas de fogo, um simulacro, 507 munições, 200 quilos de cocaína, 61 veículos, cinco motos, quatro caminhões e um jet-ski.

Dos 66 alvos de mandados de prisão, 40 foram localizados e detidos – 37 no Brasil, um no Panamá, um na Colômbia e um na Espanha.

“A maior operação do ano no combate à lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e uma das maiores da história na apreensão de cocaína nos portos brasileiros”, já havia informado ontem a PF.

Casa sequestrada na Espanha está a venda por 2 milhões de euros. Foto: Polícia Federal

Investigação

A investigação conjunta da Polícia Federal e Receita, que levou à deflagração da Operação Enterprise, teve início em setembro de 2017. Ao longo de três anos, os investigadores buscaram entender como uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína operava a lavagem do lucro obtido com a comercialização da droga.

O ponto de partida das autoridades foi a apreensão de 780 quilos de cocaína, pela Receita Federal, durante uma fiscalização de rotina no Porto de Paranaguá, no Paraná. Ao longo do inquérito, foram apreendidas outras 50 toneladas da droga, ligadas ao mesmo grupo, em portos do Brasil, Europa e África.

Carros apreendidos na Operação Enterprise. Foto: Reprodução/Polícia Federal

De acordo com as apurações, o grupo usava ‘laranjas’ e empresas fictícias de diversos segmentos para lavar bens e ativos multimilionários no Brasil e dar aparência lícita aos rendimentos do tráfico. O dinheiro era injetado, por exemplo, em transações imobiliárias, compra e venda de veículos e companhias em recuperação judicial.

As apurações, guiadas por uma perspectiva econômico-financeira, buscaram identificar o ‘caminho do dinheiro’, isto é, os núcleos financeiros da organização para, então, garantir judicialmente o sequestro de bens e valores em uma estratégia para descapitalizar a facção.

A ação mobilizou 670 policiais federais e 30 servidores da Receita Federal para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão nos Estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco.

Os agentes fizeram ainda uma parceria com a Interpol para localizar oito investigados no exterior e identificar bens mantidos em outros países. Para isso, os nomes suspeitos foram incluídos na lista de difusão vermelha da organização de polícia internacional.

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